Publicado 12 de Julho de 2015 - 5h30

Cerca de cem pessoas, a maioria mulheres, protestaram na manhã de ontem em frente à entrada do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia contra a decisão da diretoria da unidade de proibir visitas para os presos do Centro de Detenção Provisória (CDP). A medida, segundo notas enviadas pela Secretaria de Administração Penitenciária e pelo Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado, foi tomada por causa do atentado ocorrido na última quinta-feira contra um agente penitenciário que trabalha no CDP e vale também para hoje. A reportagem tentou ouvir a direção do complexo, mas não houve resposta.

Os manifestantes interditaram cerca de 250 metros da estrada velha de Campinas a Monte Mor com sacolas com comida e refrigerantes que levavam para a visita. Muitas mulheres se sentaram no asfalto em grupos para impedir a passagem de veículos e caminhões. Duas viaturas da Polícia Militar foram para a área. Uma delas também interditou o tráfego. Não houve incidentes.

“A direção não teve nenhum respeito conosco e apenas colocou um cartaz na entrada dizendo que as visitas estavam suspensas. Por que não avisaram com antecedência?”, questionou a faxineira Vanessa Matioli, de 33 anos, que veio de Itapira para tentar visitar o marido preso. Ela disse que gastou R$ 300,00 na viagem e para comprar os mantimentos. “Não existe nenhuma prova de que o agente foi baleado por causa dos presos do CDP. Isso é uma ditadura”, protestou.

O comerciante Josias Pereira de Melo, de 50 anos, de Campinas, também ficou irritado com a situação e não pode ver o filho preso. “Se é para proibir as visitas, que se proibisse do complexo inteiro”, reclamou.

Por volta das 11h, os manifestantes suspenderam o protesto e ameaçaram ir até a entrada do complexo para impedir a saída das viaturas, o que não chegou a ocorrer. Elas também ficaram preocupadas com cartazes afixados nos postes que anunciavam greve dos agentes para o próximo dia 20. “Foi uma falta de respeito muito grande, mas é melhor a gente voltar para casa”, disse a embaladora Jéssica Aline da Costa, de 23 anos.

Sindicato quer punição como crime hediondo

O presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado, João Rinaldo Machado, afirmou que irá dialogar com o secretário de Administração Penitenciária, Lourival Gomes, para que ele interceda junto à Secretaria de Segurança Pública para que os responsáveis pela tentativa de homicídio contra um agente de escolta e vigilância penitenciária, de 48 anos, na última quinta-feira, no Jardim Adelaide, em Hortolândia, seja enquadrado como crime hediondo. Quinze tiros foram disparados, um acertou na perna e outro de raspão na cintura. “Pelas circunstâncias do crime não foi uma tentativa de assalto. As características são de atentado. Agora, a legislação prevê que os crimes contra agentes de segurança pública sejam considerados hediondos”, afirmou. Machado disse que ainda não existe pistas dos autores. “No ano passado, 11 agentes penitenciários foram mortos no Estado de São Paulo. Na região de Campinas, foram dois crimes”, disse. Ele afirmou que 200 pessoas trabalham no CDP de Hortolândia. (LS/AAN)