Publicado 12 de Julho de 2015 - 5h30

Quase metade das crianças e adolescentes com oito a 16 anos de idade afirma esconder algumas de suas atividades virtuais dos pais e um em cada três muda seu comportamento quando sabe que os pais estão vigiando, segundo uma pesquisa da Intel Security realizada com 1.014 pais e filhos nessa faixa etária entre os últimos dias 28 de abril e 12 de maio.

O estudo “Realidade cibernética: O que os pré-adolescentes e adolescentes estão fazendo on-line”, divulgado semana passada, examinou inclusive os hábitos nas redes sociais e quais são as principais preocupações em relação ao uso da internet.

Para que os pais não descubram o que fazem, as crianças e adolescentes afirmaram apagar o histórico do navegador (23%), apagar mensagens (20%), usar um dispositivo móvel em vez de laptop ou desktop (17%) e minimizar o navegador quando eles estão por perto (16%). Dos entrevistados, 35% já participaram de jogos on-line com um estranho, 13% acessaram pornografia, 6% fizeram apostas, 4% já compartilharam ou postaram fotos e mensagens íntimas, 3% já enviaram fotos inapropriadas de si mesmo para outra pessoa e 1% comprou drogas ou álcool pela internet.

Para os filhos, as piores coisas que podem acontecer on-line são a invasão de hackers (52%), a descoberta de sua localização e informações pessoais (42%), a interação com estranhos (33%), o ciberbullying (29%) e a revelação de segredos que possam afetar sua reputação (27%).

A maioria dos pais (84%) já tentou monitorar o comportamento do filho na internet e para isso conversam (83%), procuram informações nos equipamentos de acesso à internet (59%), definem controles de acesso (40%), seguem os filhos em mídias sociais (52%), compartilham as senhas (36%) e em alguns casos monitoram com GPS (11%).

Para os pais, as piores coisas que podem acontecer são a interação com estranhos (63%) ou a descoberta da localização e informações pessoais (57%), por isso, 97% afirmaram já ter tido alguma discussão sobre os riscos do uso das mídias sociais (97%). Apesar da preocupação, 65% acham normal o filho ter amigos adultos, sendo que 99% desses pais não se preocupam se o adulto em questão é alguém que eles conheçam.

O filho ter um dispositivo móvel de acesso à internet aumenta a preocupação da maioria dos adultos (88%). Dos homens e mulheres que responderam à pesquisa, 72% acham que seus filhos passam mais tempo em mídias sociais em aparelhos móveis e são nesses dispositivos que 70% das crianças e adolescentes estudadas afirmam passar mais de duas horas por dia, assistindo a vídeos (62%), usando mídia social (59%) e trocando mensagens (47%).

A interação dos filhos

A maioria das crianças e adolescentes possui perfil em redes sociais — o índice é de 83% até os 12 anos e de 97% a partir dos 13 —, sendo que um terço já viu uma foto inadequada e 26% usam nomes falsos ou apelidos em seus perfis. Desses, 53% não querem que os colegas saibam que são os responsáveis pelo que estão postando e 40% não querem que os pais ou professores descubram que estão envolvidos com conteúdo impróprio.

Pouco mais da metade dos pesquisados (52%) já testemunhou algum comportamento cruel nas redes sociais. Nesse grupo, 11% disseram ter sido vítimas de ciberbullying e 24% afirmaram ter sido autor dos ataques verbais. Os autores alegaram ter criticado uma pessoa para outra (14%) ou zombado da aparência física de alguém (13%) porque os outros foram maus para eles (36%) ou simplesmente porque não gostam dessas pessoas (24%).

Quanto à invasão de privacidade nas redes sociais, 37% disseram saber senhas alheias, sendo que 42% deles já acessaram a conta de outro sem que o proprietário soubesse. O acesso desavisado foi feito principalmente para fazer piada através da alteração de configurações ou imagens (49%) e para ver se o dono do perfil estava conversando com um ex (28%).

A interação física também foi questionada e um em cada quatro entrevistados disse que se encontraria ou já se encontrou pessoalmente com alguém que conheceu on-line.

Diálogo aberto

Especialistas ressaltam a importância da conversa acima de tudo. “A comunicação transparente pode ajudar a construir a confiança entre pais e filhos, incentivar as crianças a compartilhar mais informações sobre suas atividades on-line e a buscar a ajuda dos pais quando se depararem com qualquer atividade suspeita na internet”, afirma o engenheiro de produtos da Intel Security, Thiago Hyppolito.

A professora Jussara Cristina Barboza Tortella, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), acredita no equilíbrio entre restrições e confiança. “Alguns segredos e confidências não contam para os pais, mas contam para seus melhores amigos e essas relações são muito próximas, acontecem na escola, no bairro, entre os familiares, mais controladas pelos pais. Quanto ao mundo digital, isso não acontece, foge do alcance. Ao mesmo tempo que ele está falando com o amigo da escola, esse amigo o coloca em interação com outras pessoas que não são da escola”, explica.

A docente sugere o diálogo aberto, esclarecendo o que pode e o que não pode e suas consequências, além do acompanhamento das atividades on-line. “Quando o pai não abre para o diálogo e não acompanha como as crianças estão se comunicando, elas vão fazer escondido em outro computador que não seja da casa e isso é pior, porque impede que reflitam sobre as consequências de suas interações”.

Mãe de um garoto de 10 anos, a dona de casa Lourdes Bragança Teixeira, de 40 anos, acredita que está no caminho certo. “Desde que começou a usar o computador, aos 7 anos, ele tem restrição, assim como acontece com a TV. Quando acessa, ele me chama para ver o que está vendo e acessando.”

Mãe relata resistência e desapontamento

A analista de treinamento Agatha Abdala, de 32 anos, está no quinto mês de gestação e quer ter parto normal. Ela diz ter sido informada pelo seu médico que, pelas novas normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), teria que registrar um documento em cartório caso optasse pela cesárea. “Semana passada, meu médico me passou que se fosse fazer cesárea precisaria registrar um documento no cartório”, contou. Agatha ainda pretende se informar sobre as novas normas para os partos, mas adiantou que pretende pedir as informações para o plano de saúde sobre os percentuais de cirurgias cesáreas e de partos normais. “Ainda tenho mais três meses e meio para buscar mais informações.”

Mãe de um menino de 2 anos e meio e grávida de 37 semanas do segundo filho, a fotógrafa Aimine Zuccherato é adepta do parto normal e conta que teve dificuldade em encontrar um médico disposto a fazer o parto desta maneira. Atualmente morando em Marília, ela virá para Campinas especialmente para o parto. “Tive dificuldade enorme para garantir ter o parto que eu queria e fui em sete obstetras. Os médicos sempre acabam encontrando uma desculpa esfarrapada para fazer cesárea. Estou indo para Campinas porque não encontrei uma equipe para fazer o parto como gostaria”, disse. (BB/AAN)