Publicado 12 de Julho de 2015 - 5h30

Um dos alicerces da democracia é justamente o grau de confiança depositado pela sociedade em suas instituições, garantia de equilíbrio entre direitos e obrigações dos cidadãos, além de autenticar o sistema de representação popular através dos mecanismos de eleição e avaliação. A fragilização do sistema é reflexo do fracasso institucional, que se pode dar pela inconsistência das políticas públicas, desequilíbrio econômico, descrédito de personagens-chaves, além de injunções externas.

O Brasil vive um momento singular, quando o prestígio da presidente Dilma Rousseff e o grau de confiança da população em seu governo atingem níveis abaixo do razoável, por motivos sobejamente conhecidos. Não bastasse o peso da rejeição popular sobre a presidente, também os partidos políticos e o Congresso arcam com a falta de confiança da sociedade. Pesquisa Datafolha divulgada na última semana coloca ambos no último lugar entre as instituições nacionais. Na outra ponta, gozam de prestígio as Forças Armadas, o Conselho Federal da OAB, Igreja Católica, Poder Judiciário e imprensa, nesta ordem (Correio Popular, 9/7, A19).

Não surpreende que partidos políticos e o Congresso estejam em tal estado de descrédito. A sucessão de escândalos na seara política contribui em muito para plantar a imagem de personagens dissociados do verdadeiro sentido de vida pública. Os partidos abriram mão de qualquer traço ideológico e se transformaram em meras agremiações que servem de passagem obrigatória para aqueles que almejam carreira política. O excessivo número de siglas leva ao desvirtuamento de sua função, dando espaço para o balcão de negociatas que caracteriza o jogo de poder. O Congresso há tempos vem mostrando inconveniente distanciamento da sociedade, com suas mordomias e inação que somente se altera quando há interesses menores.

Lamentável que a pecha acabe atingindo todos os parlamentares e partidos, indistintamente, afetando o grau de consciência e decisão dos eleitores. Ainda assim, não caracteriza uma crise institucional, até porque os grupos mais confiáveis são justamente os responsáveis pela manutenção do Estado de Direito. Se a constatação da falta de confiança não é suficiente para iniciar um processo de transformação, pelo menos é um alerta no sentido de que a sociedade cada vez menos aceita o descalabro que alguns praticam contra a república, e haverá o dia em que se dará o passo decisivo para um estado democrático pleno e saudável.