Publicado 11 de Julho de 2015 - 5h30

Os operadores de usinas hidrelétricas nas Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) irão precisar de autorização da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) para operarem seus reservatórios variando o nível de água ao longo do dia. Resolução conjunta dos gestores dos recursos hídricos publicada no Diário Oficial da União determina que os operadores terão de avaliar e demonstrar que a operação não causará impacto sobre os usuários dos recursos hídricos que estão rio abaixo.Na região de Campinas existem 16 pequenas centrais hidrelétricas (PCH), que utilizam a água dos rios Camanducaia, Atibaia, Quilombo, Piracicaba, Jaguari, Pirapitingui e Ribeirão Pinhal, sendo que quatro delas estão desativadas.Segundo a resolução, se for identificado qualquer efeito associado à variação de níveis ao longo do dia, a autorização será cancelada e a operação dos reservatórios deverá ser realizada com vazões afluentes iguais às defluentes, em qualquer período. O cancelamento também acontecerá caso os usuários de água a jusante dos aproveitamentos hidrelétricos declarem impacto em suas captações de água decorrentes da operação com variação de nível nas usinas.A autorização deverá ser solicitada para a ANA em caso de recursos hídricos de domínio da União (interestaduais e transfronteiriços). No caso dos mananciais que estão completamente em São Paulo, a autorização deve ser pedida para o Daee.A decisão dos gestores visa garantir que a operação das usinas não interfira na captação de água pelas empresas de saneamento, indústrias e agricultura. No ano passado, no auge da crise hídrica, três pequenas centrais hidrelétricas da região de Campinas ficaram paralisadas em janeiro por falta de água nos rios e deixaram de produzir energia elétrica para o Sistema Interligado Nacional (SIB). Sem água, o represamento não atingiu o nível suficiente para suprir a potência instalada nas plantas.Ao longo do ano, por vários momentos, a geração de energia foi interrompida, por causa da baixa vazão, para evitar que o represamento acabasse prejudicando a captação de água pelos municípios. Cantareira

A vazão dos rios das Bacias PCJ depende basicamente do Sistema Cantareira, o conjunto de reservatórios que fornece água para a região de Campinas e para a Grande São Paulo. O nível de armazeamento nas represas voltou a cair ontem depois de seis dias estável e operou em 19,6% da capacidade, mas dentro da faixa do volume morto, água que fica abaixo dos túneis de captação e precisa ser bombeada.De um volume de chuva esperado para o mês de 50 milímetros (mm), o sistema recebeu 20mm até ontem. Apesar disso, os rios estão sendo alimentados basicamente pela água que chega dos afluentes e que garantiu uma vazão do Atibaia em Campinas de 7,5 metros cúbicos por segundo (m3/s), três vezes maior do que a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) está captando (2m3/s) para abastecer 95% de Campinas