Publicado 10 de Julho de 2015 - 5h30

Os brasileiros, especialmente os paulistas, celebraram nesta semana mais um aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932, um evento pleno de significados políticos, econômicos, históricos e morais, que merecem ser lembrados como perfeito epíteto de uma mobilização popular em defesa da legalidade. O levante paulista contra o governo de Getúlio Vargas foi o elevar da voz de uma sociedade cansada dos oportunismos políticos, dos discursos enviesados do caudilho gaúcho e seu descompromisso com as receitas preconizadas na revolução de dois anos antes, que resultou na derrubada de Júlio Prestes e instalação do governo provisório de Vargas. Queriam as forças de São Paulo a ordem constitucional, que viria a ser conquistada a duras penas em 1934, para ser novamente dilapidada com a criação do Estado Novo em 1937. Mas permaneceram as conquistas que caracterizam um povo ordeiro, propulsor do desenvolvimento do País, protagonista das maiores transformações que viriam.

Longe de ser um movimento separatista, tampouco era uma revolução apenas para a tomada do poder, como tantas. Era um apelo à legalidade, de respeito à lei e à ordem constitucional, para fazer valer o consenso de que o Brasil estava pronto para romper com as oligarquias do atraso e da política feita a ponta de faca e pólvora. O evento da revolução foi curto – durou cerca de três meses e deixou 934 mortos, pelas estatísticas oficiais da época, embora se admita que possam ter havido até 2.200 vítimas fatais nos combates. Seus efeitos são profundos e exalam um espírito cívico que merece ser estudado e preservado. Em momentos de crise, o que se destaca é o espírito cívico adormecido, o amor desprendido à Pátria, o compromisso com a verdade e a aversão à violência contra as instituições.

Passaram-se 83 anos e o Brasil atravessou diversas convulsões políticas. Vive-se hoje um momento especial de crise, beirando a instabilidade. Por força de inúmeros desacertos, voltam os fantasmas da inflação, do desemprego, da retração do crescimento, de uma economia em frangalhos que cobra o ônus da irresponsabilidade populista dos últimos governos. Mas o País resiste, seus fundamentos são sólidos e não se cogita a possibilidade golpista que amedronta alguns. Deve, isso sim, prevalecer o espírito revolucionário dos soldados constitucionalistas, que deram sua vida pelo respeito à Constituição, pela normalidade democrática e pelo ideal de uma nação livre e soberana, longe de modelos totalitaristas e anacrônicos que merecem total repúdio da sociedade.