Publicado 09 de Julho de 2015 - 5h30

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), assinou no fim da tarde de ontem o decreto de permissão de uso da Casa de Cultura Fazenda Roseira pela Comunidade Jongo Dito Ribeiro. A Casa de Cultura pertence à Secretaria de Cultura e já era ocupada pelos jongueiros desde agosto de 2008. A oficialização da cessão de uso do espaço foi comemorada no ritmo do jongo, com cânticos e muita alegria. Segundo o secretário de Cultura, Ney Carrasco, a formalização permitirá à comunidade ter acesso a recursos por meio de editais. Durante o evento, foi anunciada a destinação de uma verba por meio de emenda parlamentar no valor de R$ 200 mil para a comunidade.

A Casa de Cultura é parte da antiga Fazenda Roseira, no Jardim Roseira, próximo ao Hospital e Maternidade Celso Pierro, na Avenida John Boyd Dunlop. A área, de 400 metros quadrados, foi doada ao Município em 2007, como contrapartida de um loteamento. Enquanto ainda estava desocupado, o imóvel teve materiais furtados e foi depredado. “É ocupada há sete anos pelo Jongo Dito Ribeiro, mas não havia uma autorização oficial para isso. Nas época, eles ocuparam e foi o que salvou aquela Casa de Cultura porque ela estava se deteriorando, estava sendo roubada”, disse o secretário.

Carrasco afirmou ainda que a cidade tem uma dívida com esse grupo por ter cuidado do espaço. “Ocupam o espaço público e devolvem isso através das manifestações culturais, das apresentações que eles fazem, da formação, do cuidado com a comunidade, do processo educativo que eles fazem, da capoeira, do jongo.” Durante o evento, o vereador Gustavo Petta (PCdoB) disse que a deputada Leci Brandão o comunicou que destinaria uma verba de R$ 200 mil para a comunidade, por meio de emenda parlamentar.

Durante a assinatura na Sala Azul do Palácio dos Jequitibás, Alessandra Ribeiro, neta de Dito e uma das organizadoras das atividades na Casa de Cultura, se emocionou. “Se eu pensar pelo histórico de Campinas, enquanto comunidade negra é como se a gente tivesse tendo mais uma carta de alforria, porque ter uma documentação formal é um reconhecimento da nossa contribuição e do nosso trabalho para a população campineira”, disse. Alessandra afirmou que, se a comunidade já trabalhava antes, agora o trabalho será “turbinado”. “Até algumas horas atrás éramos uma ocupação — séria, potente, que mobiliza —, mas a gente não tinha um documento formal e algumas parcerias ficavam limitadas”, acrescentou. Sobre a verba anunciada, Alessandra afirmou que será investida na estrutura do equipamento.

A Casa de Cultura Fazenda Roseira oferece cursos de graça para a comunidade como costura, capoeira, formação de professores, oficinas de jongo, teatro, culinária afro, cultura digital, além de outras atividades. Neste sábado, a comunidade promove o 12 Arraial Afrojulino na Casa de Cultura Fazenda Roseira