Publicado 09 de Julho de 2015 - 5h30

Um dos maiores problemas das cidades diz respeito à coleta de lixo domiciliar, um serviço de indiscutível importância pela sua repercussão de preservação do ambiente, da qualidade de vida e como meta exemplar de saneamento básico. O volume diário de dejetos a serem recolhidos exige altos investimentos por parte das administrações públicas, tecnologia para o manuseio dos resíduos, estratégias para o aproveitamento racional de materiais orgânicos e recicláveis, em sistema que envolve uma cadeia de providências complexa. Desde a coleta básica por caminhões até a compactação final, existem variáveis de otimização do serviço, de critérios de segurança, regras de saneamento e técnicas, que exigem o aperfeiçoamento do sistema de forma a garantir eficiência, rapidez e destinação adequadas.

Campinas procurou inovar com a adoção de caçambas fixas em locais selecionados, que podem ser recolhidas de forma semi-automática, eliminando a necessidade de lixeiros correndo pelas ruas, em altíssimo grau de insegurança e insalubridade. Adotado em diversos países com sucesso, o método traz um ponto de racionalidade para a coleta, desde que respeitados os critérios e procedimentos necessários. Aí entra a variável da desaprovação popular e do mau uso que se faz das caçambas, refletindo o baixo grau de civilidade de uma parcela da população, que motivou uma ação na Justiça para a retirada das peças das ruas. Com efeito, 80% das caçambas já foram pichadas e até 5% dos contêineres tiveram que ser substituídos por danos, além de serem arrastados para outros locais. Moradores dos bairros onde o sistema foi adotado reclamam ainda que o lixo orgânico não é separado do reciclável, provocando mau cheiro e atraindo insetos e pequenos animais (Correio Popular, 8/7, A6).

O que está evidenciado é que existe um franco descompasso entre a concepção do sistema e a sua realização. A racionalidade da proposta é indiscutível, mas questionam-se os critérios para a colocação das peças nas ruas, obstruindo passagens e ocupando vagas de estacionamento, além de levar à frente de residências e empresas o inconveniente de um recipiente de lixo, que fica até 30 dias exposto. É evidente que faltou maior entendimento entre o sistema e os bairros atendidos. Agrava o desconforto a falta de civilidade e de educação de parte da população, que não respeita as regras e vandaliza os espaços selecionados. Por tudo, a intervenção da Justiça servirá, pelo menos, para que se abra um canal de informação para aperfeiçoar o sistema e resolver os impasses que têm incomodado os moradores.