Publicado 08 de Julho de 2015 - 5h30

Campinas terá a maior frota de ônibus elétricos no transporte coletivo do País dentro de 15 dias, quando dez ônibus K9, modelo urbano desenhado pela chinesa BYD para atender o mercado local, começarão a circular na cidade, informou a fabricante. Os veículos serão apresentados na próxima terça-feira, no aniversário da cidade, e entrarão em operação na semana seguinte, disse o diretor de marketing da empresa, Adalberto Maluf. Os veículos, segundo ele, foram trazidos da China e estão sendo montados em garagens terceirizadas — a estrutura veio pronta e a parte interna está sendo finalizada no Brasil.

A circulação desses ônibus em duas semanas, no entanto, ainda depende da finalização de negociações com a Itajaí Transportes Coletivos Ltda., que opera o transporte coletivo na região do Campo Grande e Corredor John Boyd Dunlop. O empresário da Itajaí, Joubert Beluomini, informou que negocia um contrato de arrendamento dos veículos e que ainda há muitos pontos a serem definidos, como, por exemplo, como será a remuneração do serviço e a infraestrutura que precisará ter na garagem em energia elétrica para abastecimento dos veículos. Segundo ele, a concessionária de energia informou que precisará de 90 dias para montar essa estrutura. A tarifa cobrada do passageiro será a mesma dos ônibus convencionais.

A Itajaí, por contrato de concessão, precisa fazer a renovação da frota na metade do ano e já pediu a anuência da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) para substituir os ônibus diesel por elétricos. “Por enquanto, estamos em negociação com a BYD”, disse. A opção pelo arrendamento, informou, é pelo alto custo de um ônibus como esse. “O veículo tem quase o mesmo preço do ônibus convencional, em torno de R$ 400 mil, mas a bateria chega a quase R$ 1 milhão”, afirmou. No longo prazo, no entanto, a economia com manutenção e combustível compensa o investimento.

Os ônibus elétrico têm 12 metros de comprimento e piso baixo. Além de não poluir, eles têm autonomia de 250 quilômetros, são mais confortáveis para o usuário e silenciosos, segundo o fabricante.

O veículo, equipado com baterias de fosfato de ferro, leva 80 passageiros, sendo 22 sentados e 58 em pé e, segundo a BYD, gera uma economia de até 78% por quilômetro rodado, em relação a um veículo movido a diesel. Esse ônibus já foi testado em Campinas, Sorocaba e Salvador. Em Sorocaba, o ônibus rodou em quatro linhas e gerou uma economia de 78% por quilômetro rodado, com um custo de R$ 0,22 por quilômetro diante de R$ 1,03 para ônibus convencional a diesel, economia de R$ 0,80 por quilômetro rodado.

Em Campinas, a empresa realizou testes com a linha urbana 502, onde também conferiu a mesma economia de 78% e também no Aeroporto Internacional de Viracopos, no sistema de transporte interno de passageiros.

Operação

Nessa operação, os resultados chegaram a uma redução de custo mensal de R$ 19.868,02 com combustível nos cinco ônibus que operam na linha. Por ano, essa economia pode chegar a R$ 238.416,27.

Já em Salvador, o desempenho de 1,07 km/kWh significou economia de 83%, com custo de R$ 0,12 contra R$ 0,70 por quilômetro rodado, na comparação com ônibus a diesel e motor dianteiro. Segundo dados da empresa, esse resultado pode representar economia de combustível estimada em R$ 590 mil para cada veículo por um período de dez anos.

O modelo K9 da BYD é o primeiro ônibus 100% elétrico à bateria produzido em escala comercial e o mais vendido em todo o mundo. É também o único movido pelas baterias de fosfato de ferro, a mais limpa e segura tecnologia de baterias existentes no mundo. Isso se traduz em alta eficiência energética e autonomia de 250 quilômetros por carga (o tempo para recarga pode durar de 4 a 5 horas). Os motores embutidos nas rodas proporcionam alto desempenho, acessibilidade (piso baixo), manutenção simplificada e emissão zero de poluentes.

Grupo investe R$ 250 mi em fábrica

Os primeiros ônibus elétricos da BYD no Brasil começarão a ser produzidos em Campinas a partir do próximo mês, informou o diretor de marketing da empresa, Adalberto Maluf. A fábrica de ônibus está sendo finalizada em área do Terminal Intermodal de Carga (TIC), com investimentos de R$ 250 milhões. A previsão é gerar, a partir de agosto, 450 empregos diretos. A planta industrial terá capacidade de produção de 500 a mil unidades de ônibus e baterias por ano, quando alcançar sua plena operação.

Nessa mesma área, a BYD vai instalar sua unidade de produção de painéis solares fotovoltaicos, um investimento de R$ 150 milhões. A BYD será a terceira fabricante de painéis solares fotovoltaicos a se instalar na região. Campinas já possui uma fabricante de painéis, a Tecnometal, que está instalada no Polo de Alta Tecnologia de Campinas, o Ciatec 1. A empresa pertence a um grupo mineiro que, em 2011, investiu US$ 20 milhões na linha de produção, comprada da norte-americana Spire. Além disso, começou a funcionar em fevereiro, em Valinhos, a Globo Brasil Indústria de Painéis Solares, com capacidade de produção inicial de 580 mil painéis por ano, e um investimento inicial de R$ 50 milhões. Antes de Campinas, a BYD havia sondado a possibilidade de instalar a fábrica de painéis no Polo Industrial de Manaus (PIM). O início da produção, prevista para julho, ocorrerá na mesma área onde está sendo instalada a fábrica de ônibus elétricos, para poder atender uma encomenda imediata de 400 megawatts (mW) de sistemas fotovoltaicos — quantidade suficiente para abastecer 80 mil residências. (MTC/AAN)

Coletivo sem freio cai em barranco no Sirius

Um ônibus da empresa CampiBus, estacionado na Rua Professora Carolina de Oliveira, no Residencial Sirius, em Campinas, caiu em um barranco na tarde de ontem. Segundo informações da empresa, o veículo estava vazio quando, por volta das 12h, o motorista estacionou no ponto final para almoçar. Logo em seguida, o veículo da linha 224 - Residencial Sírius/Terminal Central via Residencial Cosmos desceu desgovernado na rua e foi parar muito próximo da margem do rio que corta a região. A parte frontal foi destruída. O motorista relatou à empresa que havia puxado o freio de mão antes de sair.

O veículo foi retirado do barranco às 15h50 por um guincho. Como não houve feridos, a empresa informou que não seria registrado boletim de ocorrência. A CampiBus informou que será aberta uma sindicância interna para apurar as circunstâncias do incidente. Em março do ano passado, um acidente semelhante aconteceu na Rua Leonor Martins Mansur, no mesmo bairro e envolvendo um veículo da mesma empresa.

Na ocasião, havia 20 pessoas dentro do ônibus, que fazia a linha 222 - Terminal Central/Residencial Sírius. Três passageiros mais a cobradora ficaram levemente feridos. (Inaê Miranda/AAN)