Publicado 08 de Julho de 2015 - 5h30

O uso de radares móveis com a intenção de flagrar motoristas infratores sempre foi uma medida contestada, por cumprir uma função meramente punitiva, sem qualquer caráter educativo que não seja a aplicação de uma pena pecuniária. Instituídos como forma de intimidar aqueles que não respeitam a legislação de trânsito, têm sido usados de forma indiscriminada, construindo a sensação de que servem unicamente para alimentar uma indústria de multas que, em verdade, é apenas reflexo da irresponsabilidade de quem não se presta a seguir normas e dirigir com cuidado.

De acordo com uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a operação do equipamento deve estar visível aos condutores, ainda com sinalização que aponte o local da fiscalização eletrônica. Não é o que tem acontecido nas estradas da região, onde frequentemente têm sido flagrados aparelhos colocados à margem das rodovias de forma dissimulada (Correio Popular, 7/7, A4).

Muito embora a colocação do equipamento e os avisos de sua operação sejam constantes da Resolução, isso contraria frontalmente sua função precípua que é justamente atingir motoristas e pilotos em situação de risco e desobediência ao Código Nacional de Trânsito. Não por acaso, os equipamentos muitas vezes são colocados em áreas de mudança do limite de velocidade onde a sinalização é precária e não atrai a atenção dos motoristas, criando uma situação de desorientação que leva à desobediência.

Se há uma seara onde os brasileiros não são inspirados a se portar com civilidade, é o trânsito. Os abusos, o desrespeito a normas, a dificuldade de assimilar os procedimentos de segurança, a agressividade e a violência tornam a convivência sobre rodas um pesadelo para muitos. As estatísticas mórbidas são o retrato fiel do quanto a irresponsabilidade de alguns coloca em risco a integridade de muitos, que terminam por ser vítimas de um estado de insegurança que poderia ser evitado, em grande parte dos casos, pelo cuidado ao volante e pelo respeito às normas mais elementares.

De outro lado, combater esse lado desastrado com a violação de uma norma legal certamente não é a forma mais eficaz e justa de responder aos abusos. A punição se faz merecer para quem insiste na ignorância de dirigir em situação de risco. Aos demais, que se aplique a sinalização clara e explícita em todos os pontos, sem pegadinhas que não cumprem outro papel que não o de extrair dinheiro dos incautos.