Publicado 07 de Julho de 2015 - 5h30

Muitos temas que são caros à sociedade têm sido colocados de forma atabalhoada na pauta de trabalhos do Congresso Nacional, consequência de uma crise política que se afigura tão complicada e danosa quanto a econômica. Com a desastrada atuação da presidente Dilma Rousseff junto a seus aliados, que lhe custa a perda de apoio até daqueles que poderiam se considerar mais próximos, abriu-se uma clareira em Brasília para que políticos oportunistas se lançassem a preencher o espaço institucional. Aí surge a impropriedade de se colocarem questões importantes em votação, sem um verdadeiro e profundo debate.

É o caso da redução da maioridade penal, com tantas opiniões divergentes, de que os políticos do Congresso abraçaram a defesa, de olho na repercussão eleitoral. Com efeito, uma pesquisa aponta que a maioria da população aprova que os jovens respondam criminalmente e penalmente por crimes cometidos a partir de 16 anos.

Qualquer que seja o resultado da tramitação do assunto no Congresso, chama a atenção o comportamento dos cidadãos diante de uma questão polêmica. As manifestações de todas as partes têm sido marcadas por insuperável intransigência, um radicalismo sem precedentes, que coloca em xeque o próprio espírito democrático. Cada qual se arbitrando o dono da verdade, os conflitos de opinião têm sido virulentos, especialmente nas redes sociais, onde aparentemente prevalece o voto contrário à redução.

É preciso que os brasileiros estejam atentos ao aprendizado que debates como esse podem trazer. Uma tese derrotada não pode significar total desalento com suas convicções, deve sempre prevalecer o que a maioria entende como certo, justo e adequado. Não é civilizado encarar as opiniões diversas como expressão de ignorância ou preconceito. Até pelo contrário, muitos dos que se manifestam acirradamente contra o preconceito cedem facilmente à discriminação quando são derrotados em suas ideias.

A democracia se constrói com erros e acertos, e a sociedade deve aprender a arcar com as consequências de suas escolhas. Para os inconformados com os resultados parciais apresentados nas primeiras votações da redução da maioridade penal, é bom lembrar que os congressistas não arrebentaram a porta para assumirem seus mandatos, são representantes escolhidos diretamente pelos brasileiros. Se algo está errado, é aí que deve ser feita a transformação.