Publicado 07 de Julho de 2015 - 5h30

Há alguns meses nasceu em São Paulo um movimento denominado #terepresento. Alguns dos maiores nomes da advocacia paulista lideram esse movimento, como por exemplo, Ricardo Sayeg, Roberto Parentoni e Eduardo Arruda Alvim. Aqui em Campinas a liderança é da professora e advogada Adelaide Albergaria.

A proposta é que os advogados que não estejam satisfeitos com a atuação da OAB passem a integrar esse movimento refletindo sobre as grandes questões que envolvem a advocacia e a cidadania, cobrando posições dos atuais dirigentes da entidade.

Como já afirmei em diversas ocasiões, a OAB gasta muito mal as suas receitas e o que nos oferece é quase nada. Não me satisfaz o cafezinho de coador e as bolachinhas amanhecidas que nos são oferecidos em salas sem a devida estrutura.

Também não me satisfaz a inércia da entidade diante das grandes questões do País. O Brasil está vivendo sua maior crise econômica, ética e política, mas para os atuais dirigentes da OAB isto não é assunto da entidade.

Quero transcrever aqui uma reflexão feita recentemente pelo advogado Roberto Parentoni: “É fato que a maioria dos advogados e advogadas do Estado de São Paulo está insatisfeita com a atuação da OAB/SP. Quando pensam na OAB/SP, sentem-se tristes e desapontados, quiçá órfãos.

Por ignorância, ainda pensamos que a nossa felicidade, saúde, sucesso e prosperidade dependem de uma ação externa a nós. Transferimos a responsabilidade ao outro, sempre, mas as mudanças dependem de nós, de cada um de nós.

Quem faz a OAB/SP? Quem é que, democraticamente, elege seus representantes? Quantos se importam em refletir, estudar e trabalhar, fazer o que está a seu alcance para que as coisas mudem? Quantos têm consciência da sua estrutura e importância para a classe e para o País?

Reivindicar é legítimo, desde que conscientemente tenhamos a certeza de que fizemos a nossa parte para que essa instituição, da qual somos uma parte ativa, que depende e precisa de nós trabalhando, atentos visando atingir a excelência nas suas ações.

Assim como na cidadania não basta ser cidadão, temos de ser cidadãos ativos, na OAB/SP também precisamos nos interessar por ela, por seus rumos, e agir.

Não sendo ativos, o ato de votar acaba tornando-se a mais popular expressão da democracia e da cidadania e é por não compreendermos e não empreendermos a cidadania ativa que por vezes acabamos votando, como dizem, ‘erradamente’. Não participamos, nos interessamos ou acompanhamos o processo.

Penso que se de alguma forma as coisas não vão bem, e a maneira como estamos sendo representados e defendidos tem nos deixado tristes e desapontados, cabe a nós mudarmos os rumos da OAB/SP, refletindo, estudando e efetivamente, com reflexão e coragem, fazermos parte da história, promovendo a mudança que, acredito, se faz necessária”.

O fato é que a OAB é nossa, de todos os advogados e devemos reagir.