Publicado 06 de Julho de 2015 - 8h54

Vacina contra dengue exige longa pesquisa

Cedoc/RAC

Vacina contra dengue exige longa pesquisa

Campinas já registra 51.112 casos de dengue na pior epidemia da história da cidade. Dados do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do dia 26 de junho, divulgados no último domingo (5), mostram que o município concentra 10,9% das confirmações do Estado em 2015, que somam 467.801.

A quantidade de pessoas infectadas na cidade é 19,8% maior do que o total do ano passado, quando foram registrados 42.664 casos. Do total de confirmações até o final de junho, 50.773 são autóctones (vírus contraído no município) e 339 casos importados, ou seja, quando o paciente é infectado em outra cidade.

Os pacientes estão contaminados com o vírus tipo 1, que circula desde 2014 em Campinas. Desde janeiro, sete moradores morreram por complicações provocadas pela doença. Setenta por cento das mortes foram de pacientes com mais de 70 anos. Ainda existem três óbitos sendo investigados.

O ritmo de contaminação diminuiu em junho em relação a maio: foram 718 casos confirmados até o dia 26, ante 4.188 no mês anterior. Comparado a abril, a diminuição é ainda mais drástica. O mês teve 14.020 confirmações. No último balanço do início de junho, no entanto, a cidade tinha 44.528 casos totais confirmados. A diferença de mais de 6,5 mil casos ocorre porque o CVE espera resultados de meses anteriores para confirmar os números.

A diminuição era esperada a partir de maio, quando o tempo fica mais frio e seco, inibindo a reprodução do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Mesmo assim, a situação é considerada grave pelas autoridades em saúde.

Em janeiro deste ano o número de infectados pela dengue foi seis vezes maior do que no mesmo período do ano passado, e em fevereiro quatro vezes.

A Prefeitura foi procurada para comentar os novos números, mas informou que não iria se posicionar sobre os dados divulgados pelo órgão estadual — o balanço é feito com base em números passados pelos municípios ao CVE.

Em junho, em entrevista ao Correio, o secretário de Saúde, Carmino Antonio de Souza, disse que seria publicado o novo Plano de Contingência Municipal para o Enfrentamento da Dengue e Chikungunya 2015-2016. Trata-se de um documento elaborado com o intuito de nortear a Administração na resposta às infecções de dengue e chikungunya. O município já contava com um plano de contingência, no entanto, o material previa atribuições relativas somente à Secretaria de Saúde. Já o novo documento dará responsabilidades também para outras secretarias, departamentos e autarquias da Prefeitura no controle e prevenção da doença. O secretário havia informado ainda que manteria durante o restante do ano ações de combate a criadouros do Aedes.

SAIBA MAIS

No segundo semestre, a cidade terá 616 agentes comunitários de saúde a mais para ajudar no combate à doença. A Câmara aprovou no mês passado a criação dos cargos, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho. A legislação foi criada justamente para suprir o déficit da Secretaria de Saúde de pessoal para trabalhar no combate à epidemia.