Publicado 06 de Julho de 2015 - 5h30

Há um relativo entusiasmo em relação à postura mais recente do Judiciário brasileiro e da Polícia Federal, que tem logrado desvendar os casos de corrupção, mesmo aqueles envolvendo altos personagens da política nacional. As sucessivas operações com nomes fantasiosos não têm deixado muita margem de segurança para o que se caracterizou desde sempre uma ampla seara para os desvios de recursos. Os escândalos se sucedem e a Justiça tem dado a sua cota de compromisso ao cumprir com sua função primordial que é prestigiar todo e qualquer esforço investigatório.

O mais recente e significativo processo diz respeito à quadrilha que se instalou junto à Petrobras para o esquema de cartel, fraudes em licitações, desvios e corrupção, que tanto prejuízo trouxe à estatal, os cofres públicos e à moral política brasileira. Longe de se esgotarem os tentáculos que alcançam políticos e empreiteiros, aos poucos vai se desvendando a trama de corrupção que desviou quantias incontáveis do orçamento de obras, irrigando cofres de partidos e campanhas de políticos. A Petrobras, em seu último balanço, atestou perdas estimadas em R$ 6,2 bilhões em desvios de licitações. O prejuízo da estatal pode chegar a R$ 19 bilhões, de acordo com laudos de peritos da área contábil e de engenharia da Polícia Federal que devem ser divulgados em breve. Com esses dados, estima-se que o percentual desviado em esquema de propinas pode chegar a 15% ou 20% dos contratos, muito além dos 2% ou 3% que se falava no início da Operação Lava Jato.

Mesmo com o rigor empregado nas investigações, é ainda lamentável que a expectativa seja de recuperação de uma porcentagem mínima desses valores desviados. Com os acordos de delação premiada, já foram recuperados perto de R$ 700 milhões, mas os procuradores da força-tarefa acreditam na recuperação de R$ 1 bilhão até o final do ano. É nesse ponto que se frustra a sociedade, que certamente desejaria mais do que a condenação e prisão dos envolvidos, ou seja, a devolução dos valores furtados, até porque permanece a presunção de que os réus cumprirão suas penas em poucos anos e serão beneficiados pelas brechas legais, estando livres para usufruírem boa parte do dinheiro que, a essa altura, deve estar aguardando em contas de paraísos fiscais para voltarem a ser movimentados livremente. Pesa ainda a percepção de que o esquema que afetou tão drasticamente a Petrobras pode não ser único e o tamanho das perdas pode aumentar ainda mais a vergonha com tamanho avanço de recursos que tanta falta fazem para se atingirem os verdadeiros ganhos sociais que o governo alardeia.