Publicado 05 de Julho de 2015 - 5h30

O efetivo da 11 Brigada de Infantaria Leve do Exército realiza esta semana um treinamento intensivo de olho na segurança da Olimpíada de 2016. O exercício visa preparar 3 mil militares de São Paulo — 1.697 deles de Campinas. A tropa participa de uma ação cívico-social no Jardim Melina, onde será montada uma estrutura na Escola Municipal Marilene Cabral para atendimento médico e odontológico da população, com a finalidade de promover o treinamento logístico da tropa. Os militares participam ainda de atividades de controle de distúrbio de segurança de estrutura estratégica no Aeroporto Internacional de Viracopos utilizando cães farejadores. A Olimpíada do Rio de Janeiro ocorre no início do segundo semestre do próximo ano.

Além de Campinas, a 11 Brigada envolve os municípios de São Paulo, Itu, Jundiaí, Pirassununga, São Vicente, Pindamonhangaba e Lins. “Todas as tropas dessas cidades vão fazer exercícios de garantia da lei e da ordem, que têm a finalidade de adestramento para atuação na Olimpíada”, explicou o major Túlio Marcos Santos Cerávolo, da 11 Brigada de Infantaria Leve. A programação do treinamento do Exército vai de amanhã ao dia 10 e cada equipe, que envolve soldados, cabos, sargentos e oficiais, vai treinar na própria base e em instalações fora do quartel.

O treinamento não terá foco em combate, como ocorre em guerras convencionais, mas em atividades semelhantes ao policiamento ostensivo. “Envolve patrulhamento, posto de bloqueio, comumente chamado de blitz, controle de distúrbios ou manifestações. Os soldados aprendem a fazer a segurança de estruturas estratégicas”, explicou.

Em Campinas, além do treinamento interno que ocorrerá dentro da Fazenda Chapadão, os militares atuarão em outros dois pontos estratégicos. A ação cívico-social no Jardim Melina ocorrerá nas próximas terça e quarta-feira e contará com atividades de apresentação da Banda da Escola Preparatória de Cadetes, apresentação de cães adestrados, atendimento médico e odontológico para a população local, atividades esportivas e lúdicas, passeio com viaturas militares, corte de cabelo, além do oferecimento de serviços do Procon e do Poupatempo. “O médico e o dentista são do Exército. Vamos usar os meios próprios. Nesse caso, o exercício tem a dupla finalidade de treinar a tropa a se instalar fora da sede e atender a população.”

Viracopos

O Aeroporto Internacional de Viracopos também será outro ponto de referência para os militares. Eles irão treinar as atividades de controle de distúrbio de segurança em estruturas estratégicas no terminal aeroportuário. “Será em uma área periférica do aeroporto. Nós vamos ter uma atividade que vai envolver cão de faro e treinamento junto com o pessoal do check-in”, explicou. Na área da Fazenda Chapadão, serão realizados os treinamentos de escolta de comboio de autoridades e desobstrução de via pública, com o acompanhamento do comandante da 2 divisão de Exército, general de divisão Carlos dos Santos Sardinha e do comandante da 11 Brigada de Infantaria Leve, o general de brigada Ricardo Rodrigues Canhaci.

O major Cerávolo afirmou que o Exército será empregado na Olimpíada, mas ainda não há uma definição de atribuições. Ressaltou, entretanto, que o treinamento é necessário e, posteriormente, no início do próximo semestre, quando houver a definição, os exercícios serão intensificados.

Iniciativa privada controla 59% das ações

O Ministério da Justiça anunciou no mês passado que os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, terão uma segurança compartilhada: 41% pública e 59% privada. O número é relativo à quantidade de instalações da Olimpíada. As forças públicas, no entanto, serão responsáveis pelas instalações de competições, áreas de treinamento, Vila Olímpica e Vila dos Árbitros, o que corresponde a locais onde estarão cerca de 860 mil pessoas — 82% do público dos jogos. A segurança privada vai atuar somente em áreas administrativas.

A segurança privada será paga pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e está estimada em R$ 252 milhões. Os investimentos do governo em equipamentos e estruturas que ficarão de legado serão de R$ 350 milhões. O custeio do efetivo de policiais não é somado ao valor. A segurança pública deverá ser feita exclusivamente pela Força Nacional, que tem um efetivo de 13 mil homens, segundo o Ministério da Justiça. No entanto, a instituição tem instrumentos jurídicos para convocar mais policiais estaduais, tanto militares como civis. A escolha pela Força Nacional se deveu para não impactar o policiamento normal no Rio de Janeiro. Dessa forma, policiais militares não serão deslocados de batalhões ou unidades de polícia pacificadora (UPPs) para os Jogos.

“Nós temos uma premissa básica de não impactar o cotidiano de segurança pública do Rio de Janeiro. Para isso, estamos propondo esse modelo, que é um diálogo que teremos com as 27 federações na colaboração com a Força Nacional de segurança pública. Mas a prioridade das forças de segurança pública do Rio de Janeiro são a segurança do Estado do Rio de Janeiro”, disse Andrei Rodrigues, secretário de segurança para grandes eventos do Ministério da Justiça. (Das agências)