Publicado 05 de Julho de 2015 - 5h30

O Brasil é um país de contrastes muito fortes. Sua dimensão continental oferece paisagens e ambientes diversificados, que formam um caldo cultural diferenciado, costumes variados, histórias quase independentes, ciclos de desenvolvimento separados, uma mistura rica e que, apesar de tudo, ainda consegue preservar uma identidade nacional única. Da mesma forma, esse contraste também aparece na forma das imensas desigualdades sociais, no abismo existente entre os mais ricos e os mais pobres, situação que se faz presente em todos os discursos de oposição, sem que se apresente um projeto factível para pavimentar o caminho do equilíbrio.

Não apenas na diversidade geodemográfica se situam as diferenças, que podem estar muito próximas, deixando evidenciado que o modelo de crescimento contém distorções que permitem a convivência lado a lado da riqueza e da miséria, muitas das vezes sob o signo da exploração. Estudo recente do Programa das Nações Unidas (PNUD) em parceria com Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fundação José Pinheiro, com apoio da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa) apontou o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Campinas, dando forma a uma realidade visível: o município apresenta graus de status social e econômico que variam do atingido pelos países mais ricos e aqueles do terceiro mundo, com rendas que podem apresentar diferenças de até dez vezes entre as médias mínimas e máximas (Correio Popular, 2/7, A4).

Longe de ser uma análise simplista, tantos os fatores que constroem essa situação, a pesquisa realça a importância de se adotarem políticas públicas capazes de promover a distribuição justa de renda, garantindo a toda a sociedade, independente de classe social e cultural, o acesso aos benefícios essenciais garantidos pela Constituição, como educação, saúde, habitação, segurança, trabalho e transporte, que recaem sobre a responsabilidade do Estado arrecadador. De resto, a alternativa é investir em oportunidades, em educação intensiva e combate às desigualdades, não apenas com protecionismo e paternalismo, mas com o verdadeiro sentido de promoção social. Nesse sentido, cabe às administrações municipais atuarem junto aos governos federal e estaduais, no sentido de desenvolver programas sérios que atendam às demandas populares, ao tempo em que mantêm a ordem e o equilíbrio da justiça, evitando atropelos e fechando as portas para ações oportunistas que se aproveitam da carência e da ingenuidade ignorante para se impor como condição de transformação social.