Publicado 04 de Julho de 2015 - 5h30

O Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal da Prefeitura de Campinas anunciou ontem que as próximas ações do Castramóvel, unidade móvel para castração e chipagem gratuita, contarão com uma equipe de emergência local em caso de complicações pós-cirúrgicas, com ambulância.

O anúncio foi feito ontem após a publicação de reportagem do Correio que mostrou a fragilidade do atendimento de emergência oferecido, através do depoimento do corretor de imóveis Fernando Rodrigues de Matos, cuja cachorra sofreu hemorragia após castração no Jardim São José na quarta-feira. O animal recebeu injeções ainda no local onde o serviço itinerante foi instalado, mas teria que viajar 107 quilômetros em uma van para ser internado na clínica contratada para realizar as cirurgias, que fica em Mairinque. Diante da situação de risco do animal, Matos optou por interná-la em uma clínica local.

O credenciamento não acarretará custo aos cofres públicos, segundo a Administração municipal, porque o contrato assinado com a Clínica Veterinária Ricardo, responsável pela realização das cirurgias, prevê melhorias no serviço. Uma equipe da clínica credenciada pela atual prestadora de serviço de castração deverá ficar de prontidão com ambulância para, se necessário, encaminhar à própria clínica, que ainda não foi definida.

A Administração municipal informou ontem que teve acesso ao diagnóstico da cachorra de Matos e ela teve uma gastroenterite hemorrágica que não foi decorrente da castração, mas que, mesmo assim, os custos com a internação particular seriam arcados pela empresa responsável pelo Castramóvel, o que não seria responsabilidade da clínica contratada. Até o fechamento desta edição, os custos, que totalizavam R$ 850,00, fora os medicamentos, não haviam sido pagos.

Procurado pela reportagem no início da noite, o proprietário da cachorra negou o diagnóstico informado pela Prefeitura. “O laudo que eu tenho até agora é que ela chegou com hemorragia muscular no abdômen decorrente da castração. Foram feitos três exames de sangue e não foi detectada doença nem do carrapato, que ele (veterinário do Castramóvel) cogitou. Ela foi avaliada pelo veterinário no dia da castração e disse que estava em plena condição de saúde”, afirmou. Matos disse que o estado do animal é considerado gravíssimo. “Entrei com pedido de fiscalização no CRMV (Conselho Regional de Medicina Veterinária), em São Paulo, e espero que realmente a Prefeitura cumpra com o que está dizendo. Não pela minha cachorra, que está morrendo, mas pelos outros animais que podem passar por esse transtorno.”

O diretor do departamento municipal, Paulo Anselmo Nunes Felippe, ponderou que o hemograma é apenas um auxiliar para o diagnóstico de doenças, mas admitiu ser necessário melhorias no atendimento de emergência, o que, segundo ele, foi providenciado. “Por ser trabalho itinerante, a triagem depende da avaliação clínica e de informações prestadas pelo proprietário e, em muitos casos, o cachorro não passa por cirurgia. Mas, muitas vezes, o proprietário também não sabe de doenças preexistentes”, disse.