Publicado 03 de Julho de 2015 - 5h30

O desassoreamento da lagoa do Taquaral, em Campinas, começará em 40 dias, com a previsão de retirada de mais de 200 mil metros cúbicos de resíduos acumulados no fundo do lago, informou ontem o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella. Esses resíduos são formados por areia, lodo e material orgânico acumulados. O trabalho vai custar R$ 20 milhões e será custeado pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee). A Prefeitura se encarregará do transporte do material e a Secretaria do Verde analisa a viabilidade de usar os resíduos para fechar voçorocas e recuperar solos com erosão.

O desassoreamento deveria ter começado no ano passado, mas atrasos na negociação acabaram transferindo para meados de agosto o início da retirada dos resíduos. Em 2011, começou um trabalho de limpeza, que acabou parando por falta de verbas. A retirada do lodo deverá durar dois anos, mas as atividades no parque não serão interrompidas. A última grande remoção de material do fundo da lagoa ocorreu no ano de 1986.

Em 1984, a lagoa tinha 9 metros de profundidade e, agora, segundo a Prefeitura, está com três metros. Paulella informou que, durante o desassoreamento, será feito também um estudo para a execução de obras que evitem o acúmulo de resíduos, mas não deu detalhes nem prazo para que isso seja realizado. “Vamos estudar colocar uma caixa de areia para que a água da chuva caia, a areia fique na caixa e a água vá limpa para a lagoa”, afirmou.

Nas últimas décadas, houve uma grande deposição de matéria orgânica no fundo da lagoa, que fica no ponto mais baixo da bacia hidrográfica do bairro Taquaral e recebe água das chuvas drenadas de regiões como Castelo, Chapadão, Jardim Guanabara, Nossa Senhora Auxiliadora e Alto Taquaral.

A intenção é retirar cerca de 206 mil metros cúbicos de detritos e areia do fundo da lagoa, quantidade equivalente a 25 mil caminhões lotados com esse material. Para retirar a areia e o lodo, será usada uma embarcação de sucção parecida com o equipamento em operação no Rio Tietê, na Capital, com 20 metros de comprimento.

Pista de caminhada

O trabalho de desassoreamento também prevê a troca do calçamento do percurso de caminhada no entorno do lago. Ele deixará de ser de saibro (areia) e passará a ter piso intertravado, feito com bloquetes de concreto. A medida será adotada para evitar que a lagoa volte a receber grande quantidade de areia do trajeto, o que ocorre quando chove.

Pelo menos um terço dos peixes que habitam hoje a lagoa serão removidos e transferidos para outros três parques: Lago do Café, Parque da Vila União e Parque Santa Bárbara.

No local, há uma superpopulação de peixes, devido à baixa profundidade das águas. O desassoreamento vai ampliar a oferta de oxigênio para os peixes e reduzirá a proliferação de algas, responsáveis por deixar a água com a coloração esverdeada.

A obra de limpeza também contribuirá para a drenagem. O desassoreamento vai contribuir para a macrodrenagem da região do Taquaral porque a lagoa funciona como um piscinão nessa área, disse Paulella.