Publicado 03 de Julho de 2015 - 5h30

O que mais a sociedade brasileira vem ansiando é que finalmente entre na pauta do Congresso uma reforma política profunda e séria, que possa dar um novo rumo à estrutura de representação atual. Embora constitucionalmente legítima, a formação dos parlamentos em todo o País é decepcionante, fruto de um sistema que privilegia as práticas mais nefastas da política dominada atualmente pela força do marketing eleitoral, pelo desfazimento da ideologia partidária e pelo favorecimento dos candidatos mais alinhados à força de convencimento dos eleitores do que a propostas de trabalho.

Com a Constituição de 88, levantou-se a possibilidade de um amplo debate a respeito da forma de governo, uma oportunidade ímpar de dar um novo feitio à forma de representação popular e governos. Em 1993, os brasileiros foram às urnas em plebiscito para definir a forma de governo, entre monarquia e república, esta com as opções entre o presidencialismo e o parlamentarismo. Ficou mantida a forma do presidencialismo com o aval de quase 70% dos cidadãos, em modelo que foi esculpindo, ao longo dos anos, os vícios que levaram aos denominados “governos de coalisão”, metáfora para o balcão de negociatas entre Executivo e Legislativo.

Agora, em meio à grave conjuntura política configurada pela gestão petista, o Congresso vem tomando a dianteira na discussão de temas mais delicados, que mostram a aspiração do presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha (PMDB) mostrar-se ativo a serviço de seus interesses e de seus pares. Em meio a tanta polêmica, ressurgiu a proposta de se implantar o parlamentarismo no Brasil, agora apresentado como um antídoto oportunista para o caso de afastamento da presidente Dilma Rousseff. É preciso que se diferencie uma proposta de reforma política com a colocação em debate de questões fundamentais como o sistema de votação, regime de governo, proporcionalidade de votos.

O que se busca é um modelo coeso, concebido para dar um tom de modernidade e de justiça política brasileira. Juntar os cacos de tantas ideias sem a preocupação de lhes dar uma forma coerente e estruturada é mero e inconveniente oportunismo, porque pretende ajustar a situação de acordo com o que pode representar de vantagem para os atuais detentores de mandatos. É realmente preocupante que o destino da Nação esteja nas mãos de deputados e senadores descomprometidos com o futuro, apenas vislumbrando uma brecha para impor seus pontos de interesse sem o necessário debate com a sociedade.