Publicado 02 de Julho de 2015 - 5h30

O Atlas de Desenvolvimento Humano da Região Metropolitana de Campinas, apresentado na tarde de ontem, na sede do Ciesp, evidenciou um abismo social e econômico entre diferentes regiões da cidade de Campinas. Áreas como Alphaville, Gramado e Barão do Café possuem Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) equivalentes a países de primeiro mundo e superam inclusive o maior IDH Global, o da Noruega. Em contrapartida, outras áreas apresentam índices extremante baixos e semelhantes a localidades remotas, como Vietnã e Cabo Verde. Entre os bairros de piores resultados estão Jardim Pauliceia, Satélite Íris e Oziel/Monte Cristo.

Baseado em dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estudo dividiu o município em 187 áreas, chamadas Unidades de Desenvolvimento Humano (UDH). O levantamento foi realizado pelo Programa das Nações Unidas (PNUD) em parceria com Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fundação José Pinheiro, com apoio da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa). O IDHM é formado pela média geométrica de três outros índices: renda, educação e longevidade, com pesos iguais, e vai de 0 a 1: quanto mais próximo de zero, pior o desenvolvimento humano, quanto mais próximo de um, melhor.

Oito áreas têm o maior índice de Campinas (0,954), considerado “muito alto”: Alphaville, Gramado, Barão do Café, Condomínio Plaza Towers, Estância Paraíso, Parque Prado, Paineiras e Vila Verde. Embora a metodologia do IDH Global seja calculado com outros critérios, o índice dessas regiões supera o de países como Noruega (0,944), Suíça (0,933) e Austrália (0,917), os três maiores IDHs do mundo. Por outro lado, 12 áreas estão empatadas com os piores índices de Campinas (0,636), com IDHM comparável a países como Guiana, Vietnã, Cabo Verde e Micronésia. Entre essas regiões estão Oziel/Monte Cristo, Satélite Íris, Jardim Pauliceia e Jardim Sebastião.

Para o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Campinas, Fernando Pupo Vaz, os dados dão um panorama completo das carências e necessidades de cada região, facilitando as estratégicas e políticas públicas. Ele confessa a necessidade de dar atenção maior às regiões de menor índice. “O Atlas nos permite ter conhecimento geral e específico, e na medida que tem esse conhecimento a Administração já trabalha com isso. Temos que olhar para o conjunto do município, mas dar uma atenção maior para os piores IDHM”, afirmou. “Mas é óbvio que não vamos deixar de lado o Alphaville, por exemplo, mas focar nas regiões mais vulneráveis”, frisou.

Indicadores

Os indicadores divulgados ontem mostram os dois mundos existentes dentro de Campinas. A renda per capita de regiões como Alphaville, Gramado e Barão do Café é de R$ 4.536,72, mais de dez vezes superior à das regiões de menor IDHM, como Conjunto Habitacional Olímpia, Pauliceia e Residencial Chico Amaral, onde a renda per capita é de apenas R$ 422,38. As desigualdades se refletem também na educação. Mais de 70% dos moradores acima de 25 anos de Alphaville, Alto da Nova Campinas e Jardim Botânico têm curso superior, enquanto no Jardim Sapucaí, Residencial Gênesis e Vila Esperança, o índice de moradores que cursaram faculdade não chega a 0,74% do total de habitantes. Nesses locais, o percentual de pessoas consideradas pobres (renda domiciliar per capita igual ou abaixo de R$ 140,00 mensais) é de mais de 12% do total de moradores.

O secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, ressaltou o elevado potencial econômico da cidade como um todo. Segundo ele, apesar de algumas regiões apresentarem indicadores de renda e pobreza ruins, a cidade de maneira geral se destaca no quesito renda e as preocupações maiores são em outros setores. “As pessoas aqui em Campinas têm renda, alguma renda elas obtêm. Em Campinas o problema maior é de urbanização, algumas ocupações desordenadas, necessidade de saneamento, segurança e infraestrutura urbana, rua, iluminação e melhoria da qualidade da habitação.”