Publicado 02 de Julho de 2015 - 5h30

Tenho necessidade apenas de ser naturalmente recebido em qualquer lugar que entro. Poder e dinheiro são coisas efêmeras: duram apenas uma vida. Às vezes nem isso.

Vivo pela vida que tenho, pelo trabalho que exerço, pelo olhar da moça-que-manda-em-mim quando chego em casa, por meus filhos e netos, pelos meus amigos. Vivo pelo prazer de olhar nos olhos honrados de desconhecidos e tomar um café em qualquer lugar. E fico sabendo que o ex-ministro Guido Mantega, assim como algumas ex-autoridades lulistas, é execrado em restaurantes e padarias. Fizeram todos eles por si tal indignação popular, mas, ressalto, tais ofensas não fazem bem à democracia – melhor seria esquecê-los por suas incompetências administrativas e vícios ideológicos. Afinal, eles bem merecem o silêncio do descaso.

Sei lá por onde Lulla anda e a quem se abraça fraternalmente. Sei apenas que ele é um capenga moral da política sindical que bem usou para governar o meu país. E bem me lembro quando ele acusou o presidente/interventor do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos, o lendário Joaquinzão, de ser um sindicalista corrupto, dono de mansões, mamulengo de patrões e dedo-duro a serviço da repressão. Joaquinzão morreu em um asilo, esclerosado, em 1997, deixando uma pensão de 4 mil reais para os seus. Joaquinzão era um homem de hábitos simples – mulherengo e beberrão, é verdade - mas que tudo fez – até mesmo virar comunista – para manter a base sindical coesa e capaz de garantir seus direitos trabalhistas. Lulla bateu nele como se batesse na sua própria cara, como bem sabe a história do sindicalismo brasileiro. E Joaquinzão morreu pobre e Lulla segue andando de jatinho empresarial pelo mundo, criando dificuldades para vender facilidades, segundo delações premiadas de altos empresários presos na Operação Lava Jato. E nunca a classe metalúrgica ganhou tão pouco.

Vivi durante anos com todas essas contradições e acreditei que o PT pudesse ser capaz de buscar novas lideranças políticas, de fazer uma peneira moral na súcia partidária que bem assessorava o grande líder petista, Lulla da Sillva, os hoje corruptos José Dirceu, Genoino, Delúbio Soares, João Vacari Neto e tantos outros.

Eu sigo a vida do jeito que posso, com saudade das prosas de rio que tive com o Toninho da Costa Santos, e sem ressentimentos com velhos ex-companheiros de partido, todos eles até hoje buscando explicações que me convençam a respeito de seus equívocos políticos, ideológicos e morais.

A última ditadura do Brasil durou 21 anos e estou há 27 anos sem frequentar qualquer tipo de assembleia. Minto. Anos atrás, participei de duas para eleger o síndico do meu prédio. Foram os únicos votos dos quais não me arrependo. E hoje nem das assembleias do prédio participo. Mesmo porque os meus vizinhos são pessoas competentes e, é claro, de uma finura social e política que jamais existiu em qualquer partido político do País. E assim confio no boleto do condomínio. E a vida segue.

E o prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos pretende voltar à política. E a sua dedicada esposa pode ser condenada a 450 anos de cadeia - e isso não significa nada para ele? Melhor saber que os velhos alicerces da Igreja do Rosário seguem firmes e fortes. Quem sabe os políticos locais entendam que suas atitudes são seus alicerces morais, capazes de suportar seus currículos cívicos e assim deixar honrados seus filhos, família e amigos, assim como se fosse uma boa herança moral a ser dignificada pelos futuros historiadores da nossa cidade.

Lulla e o PT estão tentando se descolar do desastrado governo de Dillma Rousseff. Demagogo ideológico, Lulla é apenas mais um dos muitos covardes políticos da nação; e, Dillma Rousseff, a sua mamulenga da hora. Mas a vida seguirá batendo suas panelas...

Bom dia.