Publicado 01 de Julho de 2015 - 5h30

A Prefeitura de Sumaré informou ontem que não priorizará os moradores da ocupação Vila Soma nos programas habitacionais do município. Em nota, a Administração disse que milhares de pessoas aguardam na fila do cadastro habitacional e lembrou que para participar dos programas de habitação é necessário residir há pelo menos cinco anos no município. Segundo levantamento recente da Prefeitura, somente 11% dos moradores da ocupação são oriundos da cidade. A administração também condenou os protestos que “causam transtornos à população”.

O anúncio da Prefeitura foi divulgado em meio a uma pressão iniciada por moradores da cidade contrários à ocupação, contando inclusive com uma petição pedindo a retirada dos invasores. Do outro lado, os ocupantes da Vila Soma realizam vários protestos desde o início cobrando uma solução da Prefeitura e a destinação de uma área para realocá-los. Eles se propõem a pagar pelas casas.

No último dia 22, uma reunião do Grupo de Apoio às Ordens Judiciais de Reintegração de Posse (Gaorp), no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), costurou acordo para que os moradores da Vila Soma sejam transferidos para três áreas dos bairros Maria Antônia e Jardim Picerno. As áreas exatas devem ser apresentadas pela construtora Emccamp em nova reunião, marcada para sexta-feira. No entanto, em nota divulgada ontem, a Prefeitura afirmou que não vai priorizar os moradores da ocupação.

“A Prefeitura de Sumaré não pode quebrar a ordem cronológica das famílias a serem beneficiadas pelo Programa de Habitação e não vai passar os ocupantes da Soma à frente destas famílias de Sumaré, que aguardam há mais tempo na fila do cadastro”, informou em nota. “Os inúmeros transtornos e situações de perturbação da ordem pública já causados pelas manifestações de ocupantes da Soma, estão criando um ambiente de confronto, improdutivo para todos”, seguiu o texto.

Mobilização

Moradores de outras áreas de Sumaré, contrários às ações promovidas pelos participantes da ocupação Vila Soma, estão se movimentando e criaram uma petição on-line, chamada Sumaré Livre, na qual pedem o fim da ocupação. Eles alegam que muitas famílias aguardam há décadas para receberem moradia e estão sendo prejudicados pela ocupação, composta em sua maioria por pessoas oriundas de outros municípios. Outro argumento utilizado pelo autor da petição é que os protestos realizados pelos moradores da ocupação trazem transtornos à população e aumento da violência. A peça foi criada na segunda-feira e até as 18 horas de ontem já tinha mais de 600 assinaturas. O documento, no entanto, não tem poder jurídico e serve apenas como um instrumento de pressão popular.

Na semana passada, a Prefeitura divulgou um levantamento realizado na ocupação em maio. O estudo apontou que existem 2.682 pessoas efetivamente vivendo na área de quase 1 milhão de metros quadrados invadida em junho de 2012, distribuídas em 1.943 unidades habitacionais. Ainda conforme o Município, somente 224 famílias são de Sumaré, o que corresponderia a 11% do total. O levantamento encontrou pessoas de 38 cidades paulistas e de 15 estados, além de pessoas vindas do Chile, Haiti, Bolívia e Paraguai. Representantes da ocupação, no entanto, estimam que aproximadamente 10 mil pessoas vivam na comunidade.

Segundo a coordenação da Vila Soma, o levantamento oficial do Município é uma “farsa”. “Em reunião realizada hoje entre as lideranças da ocupação e a prefeitura, a secretária de Assistência Social, Maria José de Araújo, afirmou que os dados fornecidos pela Secretaria de Inclusão, Assistência e Desenvolvimento Social à Prefeitura contendo o número de moradores da Soma não eram oficiais e estavam incompletos, não sendo, portanto, objeto de divulgação”, diz, em nota.