Publicado 01 de Julho de 2015 - 5h30

Atrás da mureta de proteção e quase imperceptível para os motoristas. A reportagem do Correio Popular flagrou ontem mais um radar móvel escondido em uma rodovia da região. O equipamento estava no quilômetro 115 da Rodovia D. Pedro I (SP-65), no trecho entre Campinas e Valinhos, na pista sentido Vale do Paraíba. Ele estava instalado no gramado do canteiro central da estrada. Uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) prevê que “a operação do equipamento deve estar visível aos condutores”. O Correio mostrou na última segunda-feira que a prática de esconder os aparelhos voltou a acontecer no Estado após ter sido suspensa.

De acordo com especialistas, a instalação em locais de pouca visibilidade retira o caráter educativo do radar e amplia o potencial de arrecadação com as multas por excesso de velocidade. Além disso, poderia ampliar o risco de acidentes, já que brecar é a reação natural do motorista ao visualizar um radar escondido, mesmo que esteja dentro do limite de velocidade do local. A falta de informação e detalhes sobre a obrigação de placas nos trechos também causam dificuldade para os condutores. Em Campinas, para evitar esse tipo de questionamento, a Prefeitura deixou de utilizar dez radares móveis nas ruas da cidade. A medida foi tomada em agosto de 2012.

A reportagem já havia flagrado na última semana pelo menos quatro radares escondidos atrás de muretas ou defensas metálicas na Rodovia Anhanguera, entre Campinas e Ribeirão Preto. Na região, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) opera os aparelhos nas rodovias administradas pelas empresas AutoBAn e Colinas. O órgão voltou a informar em nota, ontem, que os aparelhos nestes trechos atendem às normas do Contran porque placas indicam o limite de velocidade estabelecido nas vias e também há a indicação da existência da fiscalização eletrônica. Por isso, poderiam ficar escondidos do usuário.

“Cabe esclarecer ainda que um radar, seja ele móvel ou fixo, não ocasiona acidentes. Os acidentes poderão ser ocasionados pela imprudência dos motoristas, que em excesso de velocidade, freiam bruscamente ao avistar o radar”, diz o texto. Na semana passada, o departamento citou que os equipamentos são alvos constantes de “atos de vandalismo”, e que por isso, são operados “em locais apropriados, próximos a muretas ou defensas metálicas”. De acordo com o DER, somente em 2015 foram registradas 41 ocorrências de vandalismo envolvendo radares.

A Rota das Bandeiras, concessionária responsável pela rodovia, informou ontem, também em nota, que “a instalação dos radares móveis atrás de barreiras de concreto ou defensas metálicas ocorre para proteger o equipamento de possíveis atos de vandalismo, além de garantir a segurança do operador do aparelho e do próprio equipamento”. Segundo a empresa, os pontos onde são instalados os equipamentos no Corredor Dom Pedro foram homologados pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e o seu posicionamento ocorre de acordo com a orientação do órgão”.