Publicado 01 de Julho de 2015 - 5h30

A Prefeitura de Indaiatuba ignorou a decisão da Justiça que acatou a denúncia contra cinco funcionários acusados de fraude em licitação e até agora não tomou nenhuma medida interna para apurar os fatos ou para afastar seus funcionários, entre eles, o secretário de governo, Carlos Alberto Bargas. O Executivo informou que não fará uma nova sindicância para avaliar a conduta dos funcionários que integram o primeiro escalão do governo do prefeito Reinaldo Nogueira (PMDB) e dos quadros do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), e que aguardará a decisão da Justiça.

O juiz da 2 Vara Criminal da cidade, José Eduardo da Costa, aceitou na semana passada a denúncia oferecida pelo MP. A alegação da Administração do prefeito Reinaldo Nogueira (PMDB) é que já houve uma investigação interna quando o caso veio à tona, em 2010, mas que não foram encontradas irregularidades.

O governo peemedebista recebeu ontem uma cópia das acusações e aguardará o fim da tramitação do processo. As denúncias que envolveram os servidores de Indaiatuba integram o primeiro relatório do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que originou as investigações do Caso Sanasa, em Campinas. Segundo a Promotoria, integrantes do governo de Indaiatuba negociavam contratos e passavam informações privilegiadas para o empresário José Carlos Cepera e os lobistas Maurício de Paulo Manduca e Emerson Geraldo de Oliveira, com o objetivo de direcionar licitações. Ao todo, 21 pessoas foram denunciadas. Os promotores relatam que a suposta fraude em licitação foi idealizada pela organização criminosa e ocorreu, por exemplo, em um contrato de R$ 2 milhões com o Saae, assinado em 24 de março de 2010.

Na época, a Prefeitura de Indaiatuba chegou a abrir procedimentos internos para apurar o caso, assim como a Câmara, mas não houve desdobramentos.

Regatas

Um dos denunciados pelo MP é secretário de governo, Carlos Alberto Bargas. Morador de Campinas, ele assumiu há cerca de dois meses o comando do Clube Campineiro de Regatas e Natação, um dos mais tradicionais da cidade. O mandato é de dois anos e válido para o biênio 2015-2017. A notícia de ele que está no rol de acusados do processo fez com que alguns sócios entrassem em contato com o Correio Popular e colocassem em xeque a sua permanência no cargo. Procurada, a assessoria de imprensa do Regatas informou que Bargas preferiu não se manifestar sobre as denúncias. O clube informou que não vai comentar um provável pedido de afastamento da presidência. De acordo com as regras internas da agremiação, isso só poderia acontecer mediante pedido apresentado no Conselho Deliberativo, o que não aconteceu até a tarde de anteontem.