Publicado 01 de Julho de 2015 - 5h30

A Prefeitura declarou de utilidade pública, para fins de desapropriação, um conjunto de áreas que somam 66,1 mil metros quadrados, para a implantação dos futuros terminais de transferência e dos corredores dos ônibus rápidos, os BRTs. De acordo com a publicação ontem, no Diário Oficial do Município, serão desapropriadas partes de glebas e de lotes para a implantação do terminal de transferência Satélite Íris, Terminal Campo Grande, dispositivo de retorno do Corredor Perimetral e para os corredores Campo Grande e Ouro Verde. A maior parte das área está situada ao longo da Avenida Ruy Rodriguez. O decreto indica aos proprietários que suas terras serão desapropriadas.

As áreas, em maior parte, estão no trajeto do futuro Corredor Ouro Verde. O Corredor Campo Grande não deverá exigir tantas desapropriações, segundo o secretário de Transportes, Carlos José Barreiro, porque seguirá a Avenida John Boyd Dunlop. A quantidade de áreas a serem desapropriadas poderá aumentar quando o projeto executivo for concluído, disse, porque nessa etapa o trajeto será mais detalhado. “O processo de desapropriação começará quando a Caixa Econômica Federal validar o projeto dos corredores. Para um conjunto de corredores que soma mais de 35km, a quantidade de área a ser desapropriada é pequena”, afirmou

Embora com financiamento aprovado pelo Ministério das Cidades, a Prefeitura ainda não conseguiu a validação do projeto pela Caixa, que é o agente financeiro. O projeto foi revisto várias vezes e somente no início de junho o banco recebeu o orçamento do projeto revisado — embora a Prefeitura não tenha informado qual o valor final da implantação dos corredores, a estimativa é de que o custo será elevado em 30% em relação aos R$ 340 milhões iniciais. Os custos com as desapropriações necessárias e as alterações nas estações de transferências, entre outras adequações, elevaram os gastos com o projeto.

Uma das alterações foi a retirada do Terminal Magalhães Teixeira como estação do BRT. A Secretaria de Transportes fez as contas e conclui que precisaria investir mais de R$ 100 milhões na remodelação do espaço para que pudesse receber ônibus articulados ou biarticulados. O alto custo levou a secretaria a optar por deixar esse terminal para os ônibus que irão alimentar as linhas dos BRTs. Dois novos locais, a Avenida Campos Salles e a região do Mercado Municipal, foram estudados para receber as estações de transferências dos ônibus rápidos que farão a ligação do Centro com as regiões do Campo Grande e do Ouro Verde.

A Prefeitura espera o aval da Caixa para publicar o edital para contratar o projeto executivo e a obra. O plano é implantar os corredores em 2016. O BRT será troncal — linha que tem a função de ligar duas regiões por um corredor. O problema é chegar ao Centro com esses veículos, que poderão ser articulados ou biarticulados, em uma região congestionada.

Dos R$ 340 milhões iniciais necessários à implantação do maior projeto de mobilidade da cidade, a Prefeitura conseguiu a aprovação de R$ 197 milhões do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), R$ 98 milhões do Orçamento-Geral da União (OGU) e aplicará R$ 45 milhões de contrapartida.

Os corredores do BRT irão atender uma população de cerca de 300 mil pessoas que vive nos eixos Centro-Campo Grande e Centro-Ouro Verde. A expectativa da Prefeitura era iniciar ainda este ano as obras, mas sucessivos atrasos com o projeto transferiram para 2016 o começo da construção.

Opção pelo modal espera por estudo

A Secretaria de Transportes planeja abrir na próxima semana a licitação para contratar empresa que fará o estudo para avaliar qual modal de transporte será mais viável econômica e tecnicamente para ligar o Centro de Campinas ao Aeroporto de Viracopos. O estudo, que irá avaliar a implantação do veículo leve sobre trilhos (VLT) foi ampliado, a pedido do Ministério das Cidades, para se tornar uma escolha do melhor modal. O ministério está financiando R$ 1,5 milhão para a realização do estudo. “Poderemos até concluir que o VLT é a melhor opção, mas o estudo vai avaliar opções como BRTs, VLT, veículo leve sobre pneu (VLP), monotrilho, enfim, uma gama grande de modais”, disse o secretário de Transportes, José Barreiro. “Pode ser que o estudo aponte maior viabilidade em outro tipo de modal, mas nossa intenção é poder contar com um leque de opções para definir por aquela que fora mais viável”, disse. O estudo apontará estimativa de custo de implantação e melhores alternativas de trajetos — a intenção é aproveitar os leitos ferroviários desativados que cortam a cidade e também as vias urbanas. Quem vencer a licitação terá 90 dias para entregar o estudo. (MTC/AAN)