Publicado 01 de Julho de 2015 - 5h30

Sempre haverá um ponto de discórdia quando se trata de questões financeiras envolvendo o serviço público e, mais especificamente, o exercício de mandatos eletivos remunerados. De modo geral, a população — agoniada pela situação que impõe baixos salários até para funcionários altamente qualificados em áreas essenciais — sente-se ultrajada quando parlamentares e governantes autorizam para si os próprios ganhos e mordomias, considerados inconcebíveis e, na maioria dos casos, imerecidos. A política nacional vivia um momento diferente antes de 1974, quando foi autorizado o pagamento de benefícios para os vereadores em todos os municípios. Até então, as comunidades escolhiam seus representantes que exerciam os mandatos gratuita e dedicadamente, quando muito gozando alguns benefícios como pagamento de despesas no exercício da função. Salários, assessores, verbas para viagens, carros com motoristas, verbas de representação, tudo passou a ser incorporado por decisão dos próprios políticos, autoconcedendo-se vantagens que incluem até aposentadoria precoce de oito anos.

Hoje, parlamentares advogam para si benefícios como se servidores públicos fossem e merecessem uma justa remuneração, o que é uma falácia, afinal o mandato obtido pelo voto não substitui o concurso público onde, entre outras qualidades, é auferida a bagagem profissional dos candidatos. Não por acaso, sempre que o assunto da remuneração de vereadores vem à tona, há um visível constrangimento, uma carreira de argumentos em favor da legalidade e da necessidade de correção, antagonizando a opinião pública que censura abertamente estes gastos, até porque o exercício do mandato não exige que os profissionais abandonem suas carreiras nos municípios.

Por tudo isso, os reajustes sempre são feitos ardilosamente, de forma a evitar longa e negativa campanha popular, como aconteceu com os parlamentares de Paulínia que, em inusual pressa, aprovaram em duas sessões consecutivas e sem discussão, um aumento de 36,2% em seus vencimentos (Correio Popular, 27/6, A6). Da mesma forma, as câmaras da região se preparam para as polêmicas que deverão acontecer, já que transparece clara disposição de trazer o tema à pauta de trabalhos neste segundo semestre em algumas cidades. O que se pode adiantar é, mais uma vez, uma forte reação popular, afinal, os benefícios superam em muito o que a maioria acredita ser o merecido, e que se espera sejam revisados em nome do enfrentamento de uma crise econômica que atinge a sociedade como um todo, mas parece não alcançar os seus representantes políticos.