Publicado 15 de Julho de 2015 - 5h30

O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, foi ouvido ontem pela Justiça da Suíça, se recusou a ser extraditado voluntariamente para os Estados Unidos e contratou para uma longa batalha jurídica um ex-chefe do Departamento de Justiça da Suíça, Rudolf Wyss.

Com a recusa de Marin, a Suíça vai abrir um procedimento e dar uma primeira resposta aos norte-americanos até 13 de agosto. Os advogados do cartola alegam que a documentação não traz provas suficientes de um crime.

As autoridades não questionaram se Marin é ou não inocente. O que se julga é o pedido de extradição, algo que os suíços já indicaram que "tem base". Se os suíços autorizarem a extradição, Marin ainda terá a possibilidade de recorrer da decisão duas vezes, o que pode atrasar o processo até pelo menos o fim do ano.

Até lá, além de Wyss, o principal advogado no caso, o ex-presidente da CBF será defendido por Georg Friedli. Há poucos anos, Wyss ficou conhecido por ter sugerido aos banqueiros suíços que, se não quisessem ser presos nos Estados Unidos, que não viajassem para visitar clientes norte-americanos — a administração de Barack Obama fez uma ofensiva contra as contas secretas. Ele ainda trabalhou na Polícia Federal suíça, responsável por todos os temas de cooperação internacional entre 96 e 2011.

Propinas

O ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, é alvo de um inquérito nos Estados Unidos. A Justiça do país apura propinas supostamente recebidas pelo ex-dirigente, envolvendo a Nike e outros contratos. Ele aparece em diversos pontos do ato de acusação do Ministério Público norte-americano contra José Maria Marin, seu sucessor. Mas não foi citado nominalmente por enquanto. Fontes próximas ao caso confirmam que Teixeira, que deixou a CBF em 2012, é alvo de uma investigação.

A principal suspeita que recai sobre Teixeira é de que o empresário José Hawilla dividiu com ele uma propina de US$ 30 milhões por terem fechado um acordo com a Nike em 1996 e dando exclusividade à marca americana para explorar a Seleção Brasileira. (Da Agência Estado)