Publicado 06 de Julho de 2015 - 5h30

Irreconhecível no 1 tempo e sentindo demais o peso dos desfalques, a Ponte Preta conheceu ontem sua segunda derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro. Mandante na Arena Pantanal — mas com maioria da torcida adversária — a Macaca perdeu para o Palmeiras por 2 a 0, em partida da 11ª rodada e caiu para a 10ª posição, com 16 pontos. O jogo foi em Cuiabá porque a diretoria vendeu o mando de jogo por R$ 1 milhão para a empresa Roni7. Na quarta-feira, a Ponte tenta a reabilitação contra o Coritiba, fora de casa.

Já o Verdão, mesmo sem fazer uma grande atuação, contou com atuações inspiradas de Rafael Marques, com duas assistências, e Dudu, autor dos dois gols, para alcançar a terceira vitória seguida e subir na tabela. O alviverde já é o 7, com 18 pontos, e também na quarta recebe o Avaí, no Allianz Parque.

Apesar de não contar com cinco titulares na equipe que iniciou a partida — Fernando Bob e Renato Cajá suspensos, Diego Oliveira e Biro Biro começaram no banco e Josimar foi vetado por conta de uma virose —, o começo de jogo da Ponte Preta foi promissor. Logo aos 2', Cesinha tabelou com Gilson, disparou pela esquerda e fez o cruzamento para Felipe Azevedo, que se antecipou à marcação e por pouco não marcou.

Parecia um cartão de visitas interessante, mas foi o máximo que a equipe conseguiu na etapa inicial. Para piorar, o Palmeiras não demorou a abrir o marcador. Aos 8', em vacilo generalizado da defesa ponte-pretana, Gilson afastou mal e deixou de presente para Rafael Marques. Com muita consciência, ele achou Dudu, que cabeceou no canto de Lomba.

Em desvantagem, a Ponte se mostrou perdida. Remendado, o meio-campo não funcionou, apesar da mudança de esquema que teoricamente traria mais consistência ao setor. A equipe abusou das bolas longas para Cesinha, que pouco surtiram efeito. Apagados, Paulinho e Roni não conseguiram dar a dinâmica e organização necessárias ao time e sobrecarregaram Juninho que, além de marcar, ainda tentava aparecer como elemento surpresa.

O Palmeiras, pouco ameaçado, nem precisou de uma atuação de gala para ampliar vantagem ainda no 1 tempo. Sem impor tanta intensidade e em sua segunda finalização certa a gol, o Verdão marcou mais um, aos 40', com participação direta dos dois personagens principais do jogo. Em outro vacilo da defesa, Rafael Marques aproveitou a sobra e só rolou para Dudu, no meio da área, mandar para a rede.

A Macaca voltou com outra postura no 2 tempo. Colocando mais a bola no chão e aproximando os setores, a equipe chegou com mais frequência à meta adversária. Paulinho, em chute de fora da área aos 5', finalmente deu trabalho a Fernando Prass.

A Ponte tinha posse de bola e era mais agressiva, mas ainda carecia de talento. Roni, em outra sintonia, não acertou nada que tentou, mas só foi substituído por Biro Biro perto dos 30’. E em seu primeiro lance, o atacante achou Felipe Azevedo, que levou ao fundo e tocou para trás, mas Leandrinho, com o gol aberto, errou de maneira incrível.

Até o final, a Macaca empurrou o Verdão para seu campo de defesa em busca de um gol que colocasse fogo no jogo, mas o sufoco não surtiu efeito e o time ainda escapou de tomar o terceiro graças à ótima defesa de Marcelo Lomba em conclusão de Cristaldo.

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Sem sofrer gol acumula o Palmeiras no Campeonato Brasileiro.

PONTE PRETA

Marcelo Lomba; Rodinei, Renato Chaves, Pablo e Gilson; Juninho,Vítor Xavier, Paulinho (Leandrinho 18 2º) e Roni (Biro Biro 29 2º); Cesinha (Diego Oliveira 35 2º) e Felipe Azevedo. Técnico: Guto Ferreira.

Guto Ferreira critica postura de Borges

A Ponte Preta foi para o jogo em Cuiabá desfalcada de três jogadores e com outros dois sem 100% de suas condições físicas. Diante de tantos problemas, chamou a atenção o fato de Borges, principal contratação da equipe para a temporada, não ter sido sequer relacionado para enfrentar o Palmeiras. Após a partida, o técnico Guto Ferreira explicou a opção e justificou a ausência do jogador como um “castigo” pela sua falta de comprometimento.

“É uma coisa bem simples. Gosto de trabalhar com jogador comprometido e, contra o Corinthians (na quinta-feira), houve um momento que eu pretendia colocá-lo, pois achava que precisava de dois atacantes. Quando o chamei, ele não tinha nem tirado o agasalho. Veio até mim e sugeriu que entrasse o Roni e não ele, porque ele e o Diego ocupavam o mesmo espaço”, disse o treinador da Macaca. “Ele sabe que errou, pediu desculpas, mas vamos ver como vai ser. Precisamos de quem está preparado e está comprometido”, disse o técnico da Ponte.

Sobre a derrota, Guto lamentou o 1 tempo da Ponte, mas ressaltou a melhora na etapa final. “Não vi o Palmeiras com tanta superioridade, mesmo no 1 tempo, em que não fomos tão bem. O primeiro gol saiu em erro nosso, demos a bola pros caras, e o segundo em contra-ataque”, explicou o comandante. “Depois nos arrumamos em campo, conseguimos evoluir e chegamos a perder até gol debaixo da trave”, lembrou, em referência ao lance de Leandrinho. (CR/AAN)