Publicado 05 de Julho de 2015 - 15h34

Por Adriana Leite

Antes de fazer qualquer compra no crédito, consumidor precisa fazer os cálculos para saber quanto exatamente irá pagar pelo produto<

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Antes de fazer qualquer compra no crédito, consumidor precisa fazer os cálculos para saber quanto exatamente irá pagar pelo produto<

Os juros aplicados nas operações de crédito em Campinas são os mais elevados dos últimos 15 anos. A alta constante da Selic - a taxa básica da economia brasileira - desde o ano passado afeta diretamente o bolso do campineiro.

Nas operações de Crédito Direto do Consumidor (CDC), as taxas médias chegaram a 115,32% ao ano. No cheque especial, atingiram 205,39% ao ano e no cartão de crédito bateram em 219,02% ao ano.

Os juros aplicados em todas as operações para pessoas físicas tiveram uma elevação muito forte em relação ao ano passado. O resultado é um aumento grande na hora que o consumidor escolhe comprar no crediário.

Um estudo da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) mostra que a compra de um bem de R$ 1.500,00 terá prestações de R$ 185,85 se dividido em 12 vezes. O valor mensal nem parece tão alto, mas no final o custo do produto será de R$ 2.218,17.

Para comparar, Em junho do ano passado, o CDC estava em 90,55% ao ano. A prestação deste mesmo produto de R$ 1.500,00 sairia por R$ 174,00 por mês, com o total chegando a R$ 2.088,00.

Mas, na hora de comprar, muitos consumidores costuma deixar as contas de lado - e acabam sem saber quanto exatamente irão irá pagar até quitar toda a dívida. Uma atitude que custa muito caro e pesa no bolso.

Antes de fazer qualquer compra no crédito, consumidor precisa fazer os cálculos para saber quanto exatamente irá pagar pelo produto<Antes de fechar qualquer compra, os especialistas recomendam que os consumidores observem as letras pequenas nas ofertas e também o custo financeiro do crédito.

O coordenador do Departamento de Economia da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Laerte Martins, afirma que os juros cobrados nas operações financeiras em Campinas e região são as mais elevadas dos últimos 15 anos.

“A taxa média do Crédito Direto ao Consumidor está em 115,32% ao ano. A taxa chega a 6,60% por mês. O cheque especial chegou a 205,39% ao ano e tem um juro médio de 9,75% ao mês. O cartão de crédito atingiu 219,02% ao ano e 10,15% ao mês. O crédito está muito caro. Para conter a inflação, o governo aumentou a Selic, mas o efeito está sendo duro para as empresas e os trabalhadores”, comenta.

Ele diz que os juros para a pessoa jurídica também subiram, mas não na mesma proporção das taxas para o consumidor. “O desconto de duplicata, operação mais utilizada pelos empresários, tem uma taxa média de 46,44%. O juro é de 3,23% ao mês. Para uma empresa, é muito elevado. O crédito está caro e escasso. O empresário, assim como o consumidor, tem cada dia mais dificuldade para conseguir crédito nas instituições financeiras. As exigências são muitas”, pontua.

Ele compara a compra de um bem de R$ 1.500,00 no CDC hoje e há um ano atrás. “Atualmente, a prestação sairia por R$ 185,85. No final, o valor chegaria a R$ 2.218,17. O aumento em relação ao preço à vista é de 48%. No ano passado, a prestação sairia por R$ 174,00. O valor final era de R$ 2.088,00. A diferença era de 39,20%. Os números mostram que o crédito está caro em decorrência da política adotada pelo governo para conter a inflação”, ressalta.

Recomendação

O coordenador do curso de Administração da Faculdade Anhanguera de Campinas, Carlos Augusto Oliveira, afirma que o trabalhador sofre com as decisões tomadas pelo governo para reduzir a inflação.

“O objetivo é frear a inflação, mas até agora os efeitos dessa política causaram mais danos para o trabalhador do que pararam a inflação. A verdade é que as medidas diminuíram a capacidade de compra do brasileiro e também inviabilizam o financiamento de investimentos produtivos”, analisa.

Ele comenta que a estratégia dos bancos, além de subirem os juros quando a Selic tem alta em decisão do Banco Central, é aumentar as exigências para fornecer crédito. O especialista lembra que os bancos querem trabalhar com o menor risco possível de inadimplência.

“Na ponta, quem sofre a pressão em decorrência dos interesses de todos esses agentes econômicos e da política do governo é o consumidor”, observa.

Oliveira salienta que o consumidor deve manter o controle mensal do orçamento e buscar comprar sempre à vista. “Não dá para tomar crédito emprestado com taxas que passam dos 200% ao ano como no cheque especial e no cartão de crédito. O caminho é colocar gastos e receitas em uma planilha e equilibrar as contas. E manter uma poupança é imprescindível”.

Lição

A dona de casa Maria de Fátima Silva conta que a família aprendeu uma grande lição ao financiar um veículo.

“Entramos em uma bola de neve porque o financiamento era muito caro. Quando a gente vai comprar pensa apenas no valor da prestação. No final, pagamos dois carros”, diz.

Ela também afirma que “se livrou” do cartão de crédito. “Tinha cartão de loja e de crédito. Um dia fiquei devendo dois meses em um deles. Quando vi, a dívida era o dobro. Fiz um esforço e paguei, mas nunca mais caio nessa armadilha”.

Taxas de juros em Campinas e região (ao ano) 

Desconto de duplicata

Maio 2015: 46,44%

Maio 20145 42,41%

Crédito Pessoal (CDC)

Maio 2015: 115,32%

Maio 2014: 90,55%

Cheque Especial

Maio 2015: 205,39%

Maio 2014: 154,35%

Cartão de Crédito

Maio 2015: 219,02%

Maio 2014: 155,20%

TJLP

Maio 2015: 6%

Maio 2014 :5% (referentes a junho)

Fonte: Acic

Escrito por:

Adriana Leite