Publicado 07 de Julho de 2015 - 5h00

Por Jaqueline Harumi

A castração coletiva de 400 animais no bairro São José, em Campinas, feita pelo 
Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal

Janaína Ribeiro/ ANN

A castração coletiva de 400 animais no bairro São José, em Campinas, feita pelo Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal

O Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal da Prefeitura de Campinas anunciou na sexta-feira (3) que as próximas ações do Castramóvel, unidade móvel para castração e chipagem gratuita, contarão com uma equipe de emergência local em caso de complicações pós-cirúrgicas.

O anúncio foi feito após a publicação de reportagem do Correio que mostrou a fragilidade do atendimento de emergência oferecido através do depoimento do corretor de imóveis Fernando Rodrigues de Matos, cuja cachorra sofreu hemorragia após castração no Jardim São José na quarta-feira.

O animal recebeu injeções ainda no local onde o serviço itinerante foi instalado, mas teria que viajar a 107 quilômetros em uma van para ser internado na clínica contratada para realizar as cirurgias, que fica em Mairinque. Diante da situação de risco do animal, Matos optou por interná-la em uma clínica local.

O credenciamento não acarretará custo aos cofres públicos, segundo a Administração municipal, porque o contrato assinado com a Clínica Veterinária Ricardo, responsável pela realização das cirurgias, prevê melhorias no serviço.

Uma equipe da clínica credenciada deverá ficar de prontidão com ambulância para, se necessário, encaminhar à própria clínica, que ainda não foi definida.

A Administração municipal informou que teve acesso ao diagnóstico da cachorra e ela teve uma gastroenterite hemorrágica que não foi decorrente da castração, mas que, mesmo assim, os custos com a internação particular seriam arcados pela empresa responsável pelo Castramóvel, o que não seria responsabilidade da clínica contratada.

No entanto, até sexta-feira à noite os custos que totalizavam R$ 850,00, fora os medicamentos, não haviam sido pagos.

Procurado pela reportagem no início da noite, o proprietário da cachorra negou o diagnóstico informado pela Prefeitura.

“O laudo que eu tenho até agora é que ela chegou com hemorragia muscular no abdômen decorrente da castração. Foram feitos três exames de sangue e não foi detectada doença nem do carrapato, que ele (veterinário do Castramóvel) cogitou. Ela foi avaliada pelo veterinário no dia da castração e disse que estava em plena condição de saúde”, afirmou.

Matos disse que o estado do animal é considerado gravíssimo. “Entrei com pedido de fiscalização no CRMV (Conselho Regional de Medicina Veterinária), em São Paulo, e espero que realmente a Prefeitura cumpra com o que está dizendo. Não pela minha cachorra, que está morrendo, mas pelos outros animais que podem passar por esse transtorno.”

O diretor do departamento municipal, Paulo Anselmo Nunes Felippe, ponderou que o hemograma é apenas um auxiliar para o diagnóstico de doenças, mas admitiu ser necessário melhorias no atendimento de emergência, o que, segundo ele, foi providenciado.

“Por ser trabalho itinerante, a triagem depende da avaliação clínica e de informações prestadas pelo proprietário e, em muitos casos, o cachorro não passa por cirurgia. Mas, muitas vezes, o proprietário também não sabe de doenças preexistentes”, disse.

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Jaqueline Harumi