Publicado 02 de Julho de 2015 - 21h58

Por Sarah Brito

Polícia Federal é acusado de agressão

Cedoc/RAC

Polícia Federal é acusado de agressão

O policial federal que agrediu uma manifestante na Câmara de Campinas no dia 29, Cássio Guilherme Silveira, tem cinco dias para prestar esclarecimentos sobre o caso à Polícia Federal (PF), que investiga a agressão.

Segundo o órgão, caso seja comprovada alguma infração, a PF deliberará sobre a sindicância e o processo administrativo disciplinar — que pode levar a sanções e até à exoneração do servidor público. O processo de investigação dura 30 dias e o agente deve se apresentar na PF de Campinas.

A agressão ocorreu no início da semana, durante sessão na Câmara de Campinas, quando o Legislativo aprovou veto à discussão de gênero nas escolas municipais. Silveira agrediu a professora Carolina Figueiredo e o momento ficou gravado em um vídeo e divulgado na internet. As imagens foram feitas pela TV Movimento. A professora, que é a favor da inclusão de ideologia de gênero, levou dois socos na cabeça. A sessão foi marcada pelo tumulto.

Silveira, segurava a bandeira do Movimento Integralista Linear Brasileiro quando cometeu a agressão. Ele disse que os “tapas” foram em “legítima defesa”, porque a professora havia agredido os integrantes do Integralismo antes e tentado rasgar a bandeira. “A Polícia vai analisar se o agente quebrou determinação do código de conduta específica dos policiais. Por enquanto, ainda é cedo para dizer como o processo andará”, disse a chefe de comunicação da Polícia Federal de São Paulo, Patrícia Zucca.

A PF informou que durante a agressão o agente estava de folga. Silveira está lotado no plantão da Delegacia, mas já foi agente de campo.

A Câmara informou, em nota oficial, que “refuta veementemente qualquer tipo de violência cometida por quem quer que seja, sob quaisquer alegações”.

Carolina registrou boletim de ocorrência da agressão. O caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da Polícia Civil de Campinas.

Condenado

O policial federal Cássio Guilherme Silveira foi condenado em 2012 por inserção de dados falsos no sistema da Polícia Federal. A decisão foi do Tribunal Regional Federal da 3ª região, vara Campinas, condenou o agente por ter alterado a data de um protocolo de registro de arma de fogo no Sistema de Acompanhamento de Processos (Siapro) da Polícia Federal. O objetivo, segundo a ação, era permitir que o requerimento de um colega fosse reexaminado, e eventualmente, deferido.

O requerimento também foi, na ocasião, apresentado fora do prazo legal e Silveira suprimiu o extrato verdadeiro do outro agente. A denúncia, feita pelo Ministério Público, ocorreu em setembro de 2005. Silveira foi condenado a quatro anos de prisão em regime aberto, convertidos em multa de 10 salários mínimos e serviços comunitários. O policial federal recorreu ao processo e espera a decisão. Ele foi procurado por telefone e e-mail, mas não retornou.

Em entrevista ao Correio nesta semana, Silveira afirmou que o Movimento não tem interesse em entrar em confronto físico com membros de partidos políticos e que a agressão foi “legítima defesa”, mas sem a intenção de machucar a manifestante. Ele também disse que concorda com o veto de incluir nas escolas o debate de identidade de gênero.

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Sarah Brito