Publicado 01 de Julho de 2015 - 22h07

Por Inaê Miranda

Radialista protesta no Centro de Campinas e paga multa com doaçoes

Janaína Ribeiro/ ANN

Radialista protesta no Centro de Campinas e paga multa com doaçoes

Foram necessários três gerentes bancários e o auxílio de máquinas para dar conta das moedas arrecadadas na campanha em solidariedade ao radialista Jerry de Oliveira. Representante do movimento das rádios comunitárias na região de Campinas, ele foi condenado pela 1ª Vara Criminal da Justiça Federal de Campinas a quatro meses e vinte e um dias de pena em regime aberto, convertidos no pagamento de dois salários mínimos, acrescidos das custas do processo. O total de R$ 3.100,00 foi pago em moedas. A condenação do radialista se transformou em um ato em favor das rádios comunitárias do País, realizado nesta quarta-feira, 01, no Largo do Pará.

O ato reuniu cerca de 70 pessoas por volta das 13h. Entre os participantes estavam representantes de movimentos das rádios comunitárias de diversos estados do Brasil, integrantes de movimentos sociais e sindicalistas. Em uma grande faixa estendida no chão, Oliveira depositou grande parte das moedas que arrecadou desde 7 de maio, quando começou a campanha — eram mais de 42 mil.

Durante o ato, recebeu ainda a colaboração de outros participantes que traziam pequenos montantes para colaborar com a causa do radialista e manifestar o repúdio à repressão contra as rádios comunitárias.

Oliveira afirmou que cada moeda arrecadada seria usada para fazer a luta. “A gente quer mudar essa lei criminalizadora criada na ditadura e que é um ataque à comunicação livre no Brasil. Ou melhora ou vamos para a resistência”, afirmou. O advogado Alexandre Mandl afirmou que a condenação de Oliveira foi um ataque à organização das rádios comunitárias. Ele também lembrou as cerca de 30 mil rádios comunitárias fechadas ao longo de 20 anos no Brasil.

Presidente do sindicato dos médicos, Casemiro dos Reis Júnior afirmou que a violência contra Jerry foi também uma violência contra a liberdade de comunicação e a criminalização do movimento popular.

Carga pesada

Por volta das 15h, o grupo concentrado no Largo do Pará seguiu para a frente do prédio da Justiça Federal, levando as moedas em duas carriolas e bacias. Eles fizeram um ato simbólico no local e, em seguida, fizeram o pagamento na agência bancária da Caixa Econômica Federal, ao lado. A quantia arrecadada no ato ultrapassou o valor da prestação pecuniária e, segundo Oliveira, o valor restante — que não foi calculado — seria doado à Rádio Muda, mantida por estudantes da Unicamp.

O radialista foi acusado de desobediência, calúnia, injúria, ameaça e resistência após se posicionar contra o método usado por dois agentes da Anatel para encerrar as atividades de duas rádios comunitárias na região de Campinas. O caso chegou à Organização dos Estados Americanos (OEA), que cita a condenação de Jerry e outros casos de agentes públicos que se utilizam de acusações de calúnia e difamação para ferir a liberdade de opinião e expressão. Ainda ontem, segundo Jerry, militantes do movimento foram procurados pelo ministro das Comunicações para discutir a questão das rádios comunitárias. O movimento se articula para uma audiência.

Procurada, a Justiça Federal afirmou apenas que a manifestação foi pacífica, que não houve excessos e que com o pagamento, o processo volta para o juiz e é julgado extinto. A Caixa afirmou que o pagamento em moedas não interferiu no atendimento bancário, já que as moedas foram separadas por três gerentes e não pelos operadores de caixa.

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Inaê Miranda