Publicado 14 de Julho de 2015 - 19h14

Por Milene Moreto


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Está estressado com a crise no Brasil? Perdeu a paciência e quer mandar alguém para

Cuba? Não faça isso. Vá você! A ilha, que se divide entre os mares do Caribe, águas do Golfo do México e fascinantes arquipélagos banhados pelo Oceano Atlântico, oferece ao turista uma rica e intensa programação cultural, paisagens de tirar o fôlego com águas cristalinas e azuis-turquesa, além uma rede hoteleira de cair o queixo.

A convivência com um povo alegre e que vai te contar muitas histórias fará você sentir saudade da acolhida carinhosa dos cubanos. Prepare sua máquina fotográfica. Cuba é bela e inesquecível. Para escolher um roteiro é preciso pensar no tempo que o turista terá disponível para ficar na ilha. Uma viagem bacana pode ser feita em, no mínimo,

sete dias. Uma das opções é incluir estadias nos arquipélagos de Villa Clara, visita às cidades históricas de Santa Clara e Remédios, um período em Varadero — destino turístico mais antigo do País — e, para fechar com chave de ouro, alguns dias em Havana. É possível começar a viagem por Villa Clara, uma província de Cuba ladeada por arquipélagos de praias paradisíacas.

De Viracopos para Cuba

Foto: Divulgação

Avião da Copa Airlines: companhia terá frequência diária ligando Campinas a Cidade do Panamá

Avião da Copa Airlines: companhia terá frequência diária ligando Campinas a Cidade do Panamá

A Copa Airlines oferece voos que partem do Aeroporto Internacional de Viracopos, em

Campinas, e seguem para o Panamá, com conexão para Santa Clara ou Havana. Se a opção for por Santa Clara, de lá, a sugestão para a primeira parada é Cayo Santa María. Uma coisa certamente surpreende nesta primeira etapa. Ao seguir para Santa María o turista passará por cidades históricas, verá os famosos carros antigos, casas simples, pequenas plantações e, do nada, terá acesso a uma maravilha da engenharia,

a Pedraplen, uma estrada de 48 quilômetros construída sobre o mar, feita de pedras

e que demorou dez anos para ficar pronta. Se estiver acompanhado de um guia local

ele provavelmente falará com orgulho dessa via. Grandes resorts foram construídos

por lá e outros estão prestes a abrir suas portas com otimismo devido à reaproximação das relações do país com os Estados Unidos. Por enquanto,

os canadenses dominam a área. Em busca de sol e calor eles lotam os hotéis.

Portanto, conseguir um quarto disponível por lá no primeiro semestre é tarefa difícil. Programe-se com antecedência para garantir um lugar ao sol e descontos

na reserva. Uma boa opção de hospedagem é o Meliá Las Dunas. O resort tem oito restaurantes, dez bares, quatro piscinas e acesso direito à praia. Existem espaços

para casais apaixonados e para famílias. Para quem ficar no hotel, os serviços são ótimos.

Passeios

Se a proposta for conhecer a região, vale a pena apostar em um passeio de catamarã chamado de Cruzeiro do Sol que atraca em praias de águas transparentes.

Todos podem mergulhar e aproveitar o cenário. O passeio inclui também um mergulho de snorkel, almoço, mergulho com golfinhos e open bar durante todo o percurso.

O catamarã sai de Cayo de Las Brujas. O passeio é viabilizado por agências de turismo que colocam seus serviços à disposição nos hotéis. A líder em Santa María e em boa parte de Cuba é a Gaviota, que pertence ao governo cubano e reserva  antecipadamente passeios na região. Aliás, o governo é sócio de tudo na ilha, o que inclui os hotéis. Em Santa María, assim como em outras ilhas, são muitos resorts. Por isso foram construídos centros comerciais com bons restaurantes, casas de câmbio, discotecas e feiras de artesanatos locais. Vale o passeio para compras, gastronomia

e diversão. Oideal é permanecer em Cayo Santa María por, no mínimo, dois dias para

conhecer o lugar.

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Fachada do Ministério do Interior com a escultura de Che Guevara

Fachada do Ministério do Interior com a escultura de Che Guevara

Remédios: cultura e história do povo cubano

Após ter aproveitado todas as maravilhas de Cayo Santa María siga para Varadero, mas no caminho faça duas paradas: Remédios e Santa Clara. Nesse roteiro, o turista

pode fechar o pacote com agências de viagens que vão cuidar do seu deslocamento

em vans ou ônibus. Outra opção é o aluguel de carro. A parada nessas cidades dará ao

turista a noção real da cultura do povo cubano e da sua história. Remédios é a primeira do roteiro após sair de Santa María. A cidade fundada em 1514 é sinônimo de  tranquilidade. Por lá, o tempo parece correr devagar quando se acompanha a rotina dos moradores. Os carros são poucos. O transporte mais comum é a bicicleta. Uma feirinha de artesanato no centro histórico dá charme ao local, que tem entre suas principais maravilhas a catedral San Juan. A igreja é considerada uma das mais importantes de Cuba.

Restaurada no século 20, conta com dois altares construídos no estilo barroco e primorosamente decorados. O teto da igreja é todo pintado com um desenho que os moradores comentam que muda conforme sua posição.

Se olhar de um lado verá uma flor e, do outro, o rosto de Jesus Cristo. Alguns locais da cidade passam por um processo de recuperação. Um deles é a casa de Alejandro Garcia Caturla. No museu estão objetos pessoais do músico. Ele era pianista, saxofonista, compositor, cantor e jornalista. Caturla foi assassinado em 1940. Até hoje os moradores comentam sobre sua conhecida honestidade. Era também um juiz reconhecido por ajudar os pobres. Se tiver a sorte de visitar Remédios em dezembro, provavelmente o turista vai presenciar as Parrandas. Um festival com rumba, carros alegóricos e queima de fogos. Uma espécie de carnaval cubano.

Saiba mais

Após Remédios, a próxima parada é Santa Clara. Ao chegar no município uma guarita logo avisa que trata-se da “cidade do Che”. De fato, em praticamente todos os locais é possível ver referências ao líder revolucionário Ernesto Che Guevara. Antes disso, o turista só terá contato com menções da revolução e do sistema político do País em outdoors fincados na estrada. Se quiser saber mais será necessário perguntar aos  cubanos.

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Praia em Varadero

Praia em Varadero

Ninguém te dará testemunhos do regime socialista sem que o turista manifeste o  interesse em saber. Santa Clara ficou famosa por ter sido a sede da última batalha, em

1958, liderada por Che e que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista. É lá que foi erguido o memorial em homenagem a Che e aos outros guerrilheiros. Em 1997 o

corpo dele foi levado até a cidade para ser colocado ao lado de outros 38 guerrilheiros mortos durante as batalhas. O memorial foi construído na Plaza de La Revolucíon. De um lado está uma estátua de bronze de Che com o braço engessado por causa de uma fratura durante uma batalha. Do outro existe um muro com cenas das guerrilhas esculpidas e a carta de despedida do comandante ao deixar Cuba rumo à Bolívia.

Na parte de trás está a entrada do museu e os túmulos dos guerrilheiros. Uma estrela ilumina ininterruptamente a urna onde estão os restos mortais de Che. Ao sair da área desta área, uma porta leva até o museu onde estão diversos objetos pessoais de Che e fotos que contam a história da revolução.

Dicas de viagem

- Para entrar em Cuba é preciso ter visto. Geralmente as próprias companhias aéreas se encarregam disso. Na embaixada de Cuba em São Paulo o documento é feito na

hora. A taxa é R$ 48,00

- A moeda local para os turistas é o CUC, pesos conversíveis. As casas de câmbio dos hotéis trocam dólares e euros. Nem todas trocam reais e se você precisar fazer o câmbio terá que procurar um banco internacional

- A Copa Airlines oferece voos para Cuba em Campinas, que partem do Aeroporto Internacional de Viracopos

A sedutora e inesquecível Havana

Não é possível chegar à Capital de Cuba sem ficar impressionado com as cores da  cidade. Sabe aquela criança que gruda o rosto na janela do carro ao se deparar com algo inusitado? É esse o sentimento de quem visita Havana pela primeira vez. Com a música que pulsa em cada esquina, com a alegria do seu povo e com todos os seus

contrastes, é impossível não se encantar e não se envolver com o que Cuba tem de melhor: as pessoas. O passeio pode começar por Habana Vieja (a cidade velha), onde o mundo parece ter parado no tempo. O centro histórico é parte do Patrimônio Cultural da Humanidade, tombado pela Unesco em 1982. É o maior núcleo colonial da América

Latina. Por lá, as construções são incríveis e merecem atenção nos detalhes. O Centro

passa por um intenso processo de recuperação — que poderia servir de modelo para muitas cidades no Brasil. Vale destacar a Catedral San Cristóbal, erguida em 1748 com o olhar atento dos jesuítas, e ao Museu de Arte Colonial, com peças da aristocracia de Havana do século 18.

Outras construções que merecem a visita são as do Castillo de  La Real Fuerza, construído em 1558 para proteger a cidade de ataques dos piratas, e o El Templete, que segundo os guias locais está onde foi fundada a cidade de San  Cristóbal. Na cidade velha existem ótimas feiras. Uma delas é a que fica na Plaza de Armas, a maior, e que reúne milhares de livros e artesanato. Esta parte da cidade também tem seu lado boêmio, que relembra o escritor norte-americano Ernest Hemingway, seja na Bodeguita Del Medio, seja na Floridita. Na Bodeguita, aliás, entre os visitantes ilustres que bebericaram no local estão Gabriel García Márquez, Pablo

Neruda e Nat King Cole. Hemingway morou 20 anos em Cuba.

Se o assunto foi parar na mesa do bar, o rum cubano precisa ser lembrado. Inclua a visita ao Museo del Ron. A destilaria Havana Club abre suas portas ao público para mostrar o processo de produção. Ao final, o visitante ganha o direito de provar o melhor rum da casa. No Centro de Havana outras construções também impressionam,

como o Museo de La Revolucíon. Ele foi instalado no antigo palácio presidencial de

Fulgêncio Batista. Construído em 1920, era a residência oficial dos presidentes até 1965. Hoje abriga objetos da revolução e da guerrilha. Fora da região central visite

a Plaza de La Revolucíon. O local é palco das celebrações oficiais do governo e abriga os famosos ministérios com as esculturas em bronze de Che Guevara. Vale conhecer o Museu de Belas Artes, e a Academia de Ciências, uma construção inspirada no Capitólio.

Restaurantes

Em Havana o turista encontrará restaurantes que antigamente eram raros na cidade. O Centro antigo conta com vários deles e bares nos quais o turista pode se divertir e relaxar. Tome cuidado com quem te oferece charutos nas ruas por preços mais em conta. A maioria é falso. Não existe preocupação com segurança. A tranquilidade

reina nas ruas. A rede hoteleira de Havana é vasta. No entanto, o Meliá, que é um consolidado na ilha, oferece um hotel deslumbrante e que está localizado em frente

a embaixada brasileira: o Meliá Havana. Os serviços continuam de excelência numa decoração moderna para acompanhar o ritmo do desenvolvimento na ilha. Os hotéis em Havana recebem muitos empresários, os brasileiros também estão por lá.

Luxo se destaca em Varadero, o destino mais antigo da ilha

Depois de saber um pouco mais sobre Cuba, a revolução e o sistema político da ilha, é hora de conhecer o destino turístico mais antigo do País: Varadero. Antes da revolução, o local era considerado exclusivo e apreciado por milionários norte-americanos que compraram terras por lá. Em pouco tempo, devido ao

fluxo do dinheiro que circulava pela península, a área se transformou em um grande

centro de jogatina e de prostituição.

Com a revolução, o governo tomou grandes propriedades para promover a reforma

agrária e reestruturar a ilha. Varadero entrou no pacote. Esse foi um dos motivos do

estranhamento inicial entre os governos cubano e norte-americano. Hoje, o balneário

foi transformado em um aglomerado de resorts luxuosos. O comum por lá e desfrutar

dos hotéis. O sistema turístico é semelhante ao de Cayo Santa María, com centros

comerciais construídos para abrigar restaurantes e comércio. A diferença está na

parte histórica, prédios de 1920 e nas reservas naturais que guardam cavernas com

pinturas pré-colombianas. A visita vale a pena. Para se hospedar com luxo e com todas as mordomias imagináveis, a opção é o Meliá Paradisus Princesa Del Mar. São 630 habitações e 168 delas num serviço chamado de “royal service”. Se a opção for pagar um pouco a mais para receber todos os mimos do planeta, vale a pena desembolsar cada centavo. Neste serviço o turista terá um atendimento personalizado, restaurantes e piscinas exclusivas, assim como o acesso a praia. O ponto alto para quem não desgruda do celular ou do computador é o acesso ilimitado à internet, coisa rara na ilha. Mas com uma praia de cinema, a conexão pode ficar para depois.

Escrito por:

Milene Moreto