Publicado 11 de Julho de 2015 - 18h01

Jacqueline Meneghini e parte de sua coleção: paixão é antiga e começou ainda na infância

Divulgação

Jacqueline Meneghini e parte de sua coleção: paixão é antiga e começou ainda na infância

Nesses 150 anos de Alice no País das Maravilhas, dá para dizer que existem os leitores que gostam da história de Lewis Carroll; os que adoram; os que idolatram e não vivem sem; e existe Jacqueline Meneghini. Moradora de Paulínia e professora de português, aos 47 anos, Jacqueline definitivamente não é uma simples fã de Alice... ela simplesmente respira a famosa personagem do escritor inglês. Mais do que isso, a paixão é tão antiga que ela confessa ter perguntado à mãe recentemente se ela fazia ideia de quando havia surgido sua paixão pela adorável e curiosa garotinha que cai num buraco direto para um mundo mágico.

Foto: Cesar Rodrigues/ ANN

Edição em chinês ilustrada de Alice no País das Maravilhas,uma das raridades do acervo

Edição em chinês ilustrada de Alice no País das Maravilhas,uma das raridades do acervo

“Ela lembrou que, quando eu era pequenininha, a gente tinha uma coleção de livros, sendo um deles Alice no País das Maravilhas. Já nessa época, ela contou que eu não me importava de emprestar os livros para meus irmãos, desde que não fosse, claro, Alice”, conta. Sem dúvida, o primeiro indício do que estava por vir.

Jacqueline gosta tanto da história que decidiu colecionar versões de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho, e isso inclui livros raros, antigos e nos mais variados — e inusitados — idiomas. Ou alguém sabia que existe uma versão de Alice no País das Maravilhas em dialeto apache?

“Desde que montei uma biblioteca em casa, ou seja, consegui ter mais espaço para os livros, meu marido e eu começamos a procurar novidades na internet sobre Alice. Dessa forma, sempre encontro várias raridades, livros diferentes, com ilustrações novas. É um mundo sem fim que me fascina completamente”, esclarece.

Como resultado dessas buscas, a coleção de Jacqueline conta com versões de Alice em russo, alemão, espanhol, francês, chinês, em cordel, em pop-up, em mangá, história em quadrinhos e por aí vai. O mais antigo deles é uma versão de Através do Espelho de 1934, comprada em sebo. “Tenho ainda o meu primeiro livro, de 1974. E sempre que um amigo vai viajar para fora do País, aproveito e peço um exemplar de Alice em novos idiomas. Uma estudante me trouxe um em tailandês e já consegui até um em grego”, diz.

Edição em chinês ilustrada de Alice no País das Maravilhas,uma das raridades do acervoAliás, este último tem uma história engraçada. A amiga de Jacqueline, que estava na Grécia, precisou convencer o vendedor da livraria de que o livro iria para uma coleção, pois ele não entendia porque alguém que não sabe ler grego compraria um livro em grego. “Ele não queria vender o livro de jeito nenhum, mas ela conseguiu convencê-lo e hoje tenho o livro aqui comigo.”

Entre as raridades, está uma versão de Alice em “Nyctograph” ou “Nictografia”, um alfabeto “quadrado” criado pelo próprio Lewis Carroll para poder escrever no escuro. Como ele acordava durante a noite com muitas ideias, aproveitava para anotar e usar no dia seguinte. Só que o que ele rabiscava no escuro, estava ilegível no dia seguinte. “O que ele inventou foi algo genial, então decidiram escrever o Alice no País das Maravilhas neste idioma. E eu consegui um exemplar , diz, orgulhosa. Ao todo, ela tem 65 versões da história.

Família

Toda a família de Jacqueline se envolve nesta paixão, inclusive a filha Sofia, de 7 anos. “Ela já adora a Alice, diz para todo mundo que é seu livro favorito. E meu marido me ajuda em tudo, nas buscas, a encontrar novidades. E sempre que ele vê algo diferente, corre me mostrar. É uma delícia.” Há um livro de Alice, entretanto, que é o sonho de consumo da professora: a versão com ilustrações de Salvador Dali. “A última vez que pesquisamos ele custava US$ 12 mil. Então, ainda é um sonho distante.” Quem sabe um dia. O que não pode, como mostra Alice, é jamais desistir.