Publicado 12 de Julho de 2015 - 5h06

Por Zeza Amaral

Colunista Zeza Amaral

Cedoc/RAC

Colunista Zeza Amaral

Os ímpios ideológicos, os incompetentes administrativos, bem como seus demais asseclas, serão punidos pelo Futuro que os aguarda; todos eles, sem exceção, terão suas biografias assassinadas pelas suas más escolhas. E isso tudo é muito triste para todos nós que honramos o trabalho, o sacrifício e, sobretudo, a boa e velha honestidade herdada de nossos pais, parentes e amigos, nossas vergonhas pessoais.

Viveremos tempos ainda mais amargos. O erro de escolha é sempre fatal: ou nos leva para um total radicalismo político ou, simplesmente, ao confessionário de nossas culpas ideológicas ou meramente interesseiras. Mas nem tudo é tão simples assim: o então prefeito Ruy Novaes derrubou, em 1965, o Teatro Municipal Carlos Gomes e sujou a sua biografia política perante os anais da História de Campinas; embora, alguns anos antes, o presidente Juscelino Kubitschek tenha patrocinado e assim contribuído irresponsavelmente pelo sucateamento da malha ferroviária do Brasil e, apesar e por conta disso, é tido como um grande estadista brasileiro. Políticos, a depender do momento em que fazem suas besteiras, serão sempre lembrados por muitos historiadores preguiçosos, ao menos os que desenvolvem uma prosa fácil, para editar seus quase nunca lidos livros escolares – mas altamente rentáveis no mercado editoral da Educação.

Fui inocente vítima de muitos deles e também de beatas professoras que nos faziam acreditar em Adão e Eva – e bem sei os muitos anos de culpa que tive de carregar sem nunca ter cometido quaisquer dos pecados originais e capitais – e, digo e afirmo agora, nem os constitucionais; e tampouco os penais.

E porque a prosa está pesada, lembro que o atual ministro da Grécia, Alexis Tsipras, quando ainda um sonhador político a querer pegar o timão político de seu país e ser um líder da comunidade europeia, isso em 2012, veio ao Brasil para tecer longas tertúlias político-econômicas com Dillma Rousseff e Lulla da Sillva, os quais aconselharam-no a evitar medidas econômicas de austeridade. Ou seja: nada de alta de juros, de aumento de impostos e cortes de gastos públicos. E isso não é piada pronta. Aconteceu; e a Grécia do agora sonhador primeiro-ministro Alexis Tsipras está em olímpico processo de calote internacional.

O Monte Olimpo tem exatos 2.917 metros de altitude. Quando o ministro Tsipras esteve por aqui deve ter achado que estava diante de Zeus, o Grande Lulla da Sillva, e embarcou em uma conversa fiada que agora lhe está cobrando cerca de dois bilhões de euros. A Grécia tem pouco mais de 11 milhões de habitantes – e só a região metropolitana de São Paulo cuida de abrigar mais de quinze milhões de almas mortais. E o papo borracha do nosso mais notório pelego sindicalista, Lulla da Sillva, se esborracha quando a sua mamulenga Dillma Rousseff fez exatamente o contrário ao ser reeleita: ela contingenciou 69 bilhões de reais dos setores de Infraestrutura, Transportes, Educação e Saúde; invadiu direitos trabalhistas históricos; e, como é próprio do método petista de governar, acusa de golpista a maioria dos brasileiros que perderam seus empregos, seus benefícios sociais; e que agora anda a bater panelas a cada vez que ela aparece na televisão. Ou melhor, aparecia, visto que de bobo ela só tem o andado.

A piada aqui é que o Lulla deu um presente de grego para... os gregos, com aquela velha conversa de que o consumo estimulado equilibra as contas do governo. Enfim, Lulla é um Zeus sem Olimpo e o primeiro-ministro Alexis Tsipras é mais um dos otários do lullopetismo – o mesmo que, dias atrás, disse que se o mercado europeu fechar suas portas econômicas vai buscar apoio da Venezuela, do Brasil e até mesmo da já quase falida Rússia. Sem dúvida, o futuro pune os inconsequentes. E, com mais frequência, os otários. E carapuça veste quem quer. É isso.

Escrito por:

Zeza Amaral