Publicado 09 de Julho de 2015 - 5h00

Por Zeza Amaral

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AAN

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Já escrevi isso tantas vezes que não custa repetir.

Os mais velhos devem se lembrar daquele trágico episódio em que se envolveram os senadores Silvestre Péricles e Arnon Afonso de Faria Melo (ou Arnon de Mello – coronel nordestino gosta de mexer no sobrenome, não é mesmo?), pai falecido do atual senador Fernando Collor de Mello.

Em 5 de dezembro de 1963, o então senador Arnon de Melo disparou três tiros contra o senador Silvestre Péricles, seu ferrenho opositor, dentro do Senado Federal e, errando o alvo, acabou matando um outro senador, José Kairala, que tombou com um tiro no peito.

Entretanto, apesar do crime ter ocorrido diante de inúmeras autoridades – e dentro do Senado – Arnon de Mello não teve o mandato cassado e, em 1966, foi absolvido da tentativa de homicídio contra Péricles e, também, do assassinato de um inocente.

Mas aí a ditadura militar já estava estabelecida e, é claro, Arnon de Melo era um dos muitos senadores que apoiavam o golpe militar.

É dessa arrogância criminosa e impune que nasceu o primeiro presidente cassado da nossa história republicana, Fernando Collor de Mello.

Vocês ainda se lembram dele, quando presidente, andando de jetski, correndo e exibindo a camiseta suada como se fosse um Adônis tupiniquim.

Mas bastou alguns poucos meses para o país se escandalizar com a sua falta de moral, decência, decoro e honestidade. Era apenas um bufão, mais um para assaltar o bolso da pátria e os valores republicanos. Como esquecer saga tão sem vergonha?

Lembro isso a mim mesmo, todos os dias, para ter esperanças e, principalmente, mantê-las. É difícil, sei, diante das atrocidades que bandidos, empresários e políticos perpetram contra as leis, muitos deles bandidos-políticos e empresários-bandidos, o que torna o nosso sonho democrático em um pesadelo sempre constante.

Mas pior do que roubar patrimônio alheio é a rapinagem dos fundamentos da democracia, notadamente após o governo federal ter sido democraticamente ocupado pelo lulismo e seus tentáculos partidários (quase duzentos mil cargos de confiança, leia-se) operando em praticamente todos os estratégicos setores do país: bancos estatais, Receita Federal, Fundos de Pensão, ministérios tantos e, é claro, na Imprensa – onde o subjornalismo faz o jogo petista por simpatia ideológica, ou por pura ingenuidade, ou, é claro, a soldo mesmo.

Quando Collor se viu enroscado por falta de sustentação política no Congresso, o primeiro partido a levantar a faixa de “Fora Collor” foi o PT.

E hoje o principal líder petista, o ex-presidente Lula (na verdade, o presidente moral do país), tem em Collor um seu fiel aliado.

O que é até natural, tendo em vista que, em 2002, já vitorioso nas urnas, Lula se aliou a José Sarney e, por osmose, a Renan Calheiros, Jáder Barbalho, Paulo Maluf e Romero Jucá – todos eles até hoje implicados em graves denúncias que ainda dormitam sob a toga do Supremo Tribunal Federal.

E depois do mensalão, dos dossiês fajutos contra José Serra, Fernando Henrique Cardoso e sua falecida esposa Ruth Cardoso, da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo, do vazamento de dados fiscais feito ocorrido dentro da Receita Federal, os brasileiros ficam sabendo que o fundo de pensão do Banco do Brasil, o Previ, é uma “fábrica de dossiês” que funciona como um “bunker” e “braço partidário” que age sob o comando de líderes do sindicalismo petista que se acha infiltrado na estrutura do poder nacional, segundo confessou, há seis anos, Geraldo Xavier Santiago, ex-diretor e ex-assessor do Previ.

Por não encontrar adjetivo pertinente a essa prática antidemocrática, convido o raro leitor a refletir sobre o que pensam os petistas a respeito da Democracia e do Estado de Direito.

E que tenha fé: acreditar que estamos apenas passando por um pesadelo político e que promotores e juízes bem cuidarão de extirpar e enterrar de vez a república do sindicalismo pelego que Lula inventou para se perpetuar no poder - e que contou para isso com uma certa bandidagem de doleiros, empreiteiros, mensaleiros, petrolões e marquetões políticos.

Tenhamos bom sonhos, portanto.

Bom dia.

Escrito por:

Zeza Amaral