Publicado 03 de Julho de 2015 - 5h00

Por Milene Moreto

Milene Moreto

Cedoc/RAC

Milene Moreto

A situação do PT anda cada vez pior no Brasil. Os próprios petistas já esperam um período tenso nas eleições municipais e com a previsão de derrota em muitas prefeituras. Diante das denúncias da Operação Lava Jato, que ontem deflagrou mais uma fase, do desgaste dos ajustes fiscais e da baixa popularidade da presidente Dilma Rousseff, a recuperação parece difícil. Se o tempo está nublado no PT, para os tucanos, o sol brilha. E eles querem aproveitar o momento.

Já garantiu

A situação anda tão complicada que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu já se adiantou e pediu um habeas corpus para não ser preso devido às investigações de corrupção na Petrobras. Desta vez o pedido veio mesmo da defesa dele, sob a alegação de que o petista estava na “iminência de sofrer constrangimento ilegal”. A suspeita é que o ex-ministro tenha recebido propinas para consultorias em sua empresa, a JD Assessoria.

Eu sempre falei sobre isso.

Nós só estamos esperando algumas comprovações para que o pedido possa ser embasado. (Do líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (PSDB). sobre ter uma postura mais contundente em relação a um possível impeachment de Dilma).

Vamos endurecer

Os tucanos querem endurecer ainda mais o discurso contra Dilma e passar a apoiar abertamente, com toda a força, o impeachment. Alguns integrantes da legenda fazem isso há um tempo. É o caso do líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio.

Provas

No entanto, existe cautela em relação a provas diretas de envolvimento dela e do núcleo da presidente no suposto desvio de dinheiro e pagamento de propina, o que poderia sustentar um impeachment. Carlão disse ontem que eles esperam a comprovação de informações repassadas nas delações dos envolvidos nos relatórios do Tribunal de Contas da União e nas decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O desfecho de algumas situações, como as pedaladas fiscais, é esperado para setembro.

Mas e aí?

Que os tucanos vão aproveitar o momento para nadar de braçada na crise do PT, ninguém tem dúvidas. O partido, no papel de oposição, está no seu direito. O problema é fazer o jogo duro sem olhar para os dilemas atuais dos brasileiros. Não vale só falar em cassar a presidente ou tentar desqualificar o PT com severos discursos. Tem que ser oposição de verdade e apresentar uma saída. Fazer frente no Congresso e ajudar a tirar o brasileiro da crise. Oposição por oposição não ajuda em nada.

O rei chamado Cunha

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), qualquer dia vai sentar na cadeira da presidente Dilma Rousseff e não sairá mais. As articulações do peemedebista e a capacidade de votar várias vezes as mesmas propostas até obter o resultado que ele quer impressionam.

Não quero!

Cunha agora acha que é melhor o vice-presidente da República, Michel Temer, que até então era o cacique master da legenda, não atuar mais na articulação do governo. Isso porque o presidente da Câmara acredita que os petistas andam sabotando o PMDB, que as articulações estão equivocadas e, por isso, ele tem que deixar o posto. A conferir.

Discursos

Como o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), está em Londes, o vice, Henrique Magalhães Teixeira (PSDB), tem feito as vezes nos eventos oficiais e, inclusive, com discursos. As falas não são demoradas como as do Jonas, que conta os seus tradicionais “causos” durante os eventos para entreter os presentes, mas o tucano tem se saído bem. Na manhã de ontem ele esteve no evento com o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), na entrega de viaturas para o Corpo de Bombeiros.

COLABOROU GUSTAVO ABDEL/AAN.

Escrito por:

Milene Moreto