Publicado 02 de Julho de 2015 - 5h00

Por Jorge Massarolo

Jorge Massarolo, editor

Cedoc/ RAC

Jorge Massarolo, editor

Campinas fecha o mês de junho com um recorde negativo em direitos humanos. Seis seres humanos, moradores de rua, morreram em condições misteriosas. E se contarmos desde abril, o número de mortos nas ruas da cidade sobe para dez.

Um após outro foram abatidos como moscas. Apesar de viverem nas ruas, sujos, fedidos, bêbados, drogados..., são humanos. Ninguém sabe o motivo ou a razão que os levou a esta vida, portanto, é injusto tecer julgamento.

O fato é que dez seres humanos morreram nas ruas de Campinas, uma das cidades “mais pujante” do Interior, como gostava de dizer um ex-prefeito, polo tecnológico, universitário, industrial e logístico. E agora sede de uma tragédia humana.

A principal suspeita é que eles morreram devido à ingestão de um coquetel chamado “doidão”, que mistura álcool combustível — aquele usado em automóveis — com suco em pó de laranja ou limão, e água, associado a uma saúde já debilitada pela falta de alimentação adequada e má higiene.

Também se culpou o frio, mas o Inverno nem havia começado. E o etanol já foi ingerido por muitos deles, que ainda estão vivos e já abandonaram o combustível. Um suspeito de matar dois deles por acerto de contas de tráfico foi preso, mas ainda falta esclarecer o restante das mortes.

O pior da tragédia foram as raras manifestações de indignação. Somente na semana passada  ONGs e outras instituições se manifestarem publicamente. O sindicato dos postos se apressou em lançar uma campanha junto a frentistas para que não vendam mais etanol para moradores de rua. A Prefeitura também entrou na campanha.

Um colega fotógrafo, aqui do Correio, indignado com a indiferença comentou: “Se fosse a morte de cinco ou seis cachorrinhos ou gatinhos teria passeata, gente protestando nas ruas. Morrem dez pessoas e não se ouve um grito de protesto”, disse.

Lamentável, cruel e verdadeiro. Obviamente, nada contra os indefesos animais, no entanto, estamos falando em seres humanos que têm pais, esposas, filhos e parentes. Alguns foram para a rua por opção, outros por desgraça familiar ou pessoal. O álcool e as drogas se tornaram alentos em noites e dias sem perspectivas.

Ninguém gosta de ver um ser humano nestas condições, mas não se pode fechar os olhos e passar por cima dos corpos na calçada. Campinas não pode ser vista como a cidade que abandonou parcela dos seus cidadãos à própria sorte. Eles precisam de ajuda e não podem ser ignorados.

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Jorge Massarolo