Publicado 09 de Julho de 2015 - 16h28

Feres Chaddad Neto

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Feres Chaddad Neto

Como já vimos, o sistema nervoso divide-se entre o central e o periférico. O sistema nervoso central são as porções que estão envolvidas por ossos: o encéfalo e a medula espinhal. Já o periférico é composto pelos nervos.

O encéfalo, integrado pelo cérebro, cerebelo e tronco encefálico, fica inteiramente dentro do crânio, enquanto que a medula espinhal é envolvida pela coluna vertebral óssea.

Mas o sistema nervoso central não está em contato direto com o osso. É revestido e protegido por três membranas, chamadas de meninges, palavra que vem do grego “membrana”. Essas três membranas são a dura-máter, a aracnóide e a pia-máter.

As meninges só se encontram no sistema nervoso central. No caso do sistema nervoso periférico, o revestimento protetor dos nervos se designa por epineuro.

Então, para chegar às estruturas do encéfalo, teremos várias camadas:

 - O couro cabeludo, que é a pele que envolve o crânio. É diferente das demais peles por dois motivos: em primeiro lugar, abaixo desta pele existe uma estrutura muito vascularizada, chamada gálea, formada por uma ramificação enorme de vasos sanguíneos e que é a responsável pelos grandes sangramentos ocorridos em ferimentos neste local. A segunda diferença é que apresenta cabelos mesmo nos calvos.

 - O periósteo, um tecido denso que envolve todos os ossos, que tem várias funções como proteger o osso; fixar músculos servindo como ponto de origem e de inserção; produzir novas células para fazer o osso crescer ou para substituir as danificadas; e envolver os nervos que envolvem alguns ossos e os vasos sanguíneos que nutrem o osso.

 - O crânio, composto de oito ossos: parietal (dois), frontal, occipital, esfenóide e etmóide.

 - As meninges.

As meninges e seus espaços

A mais externa é a dura-máter que, como próprio nome indica, é a mais dura e espessa das meninges. Sua consistência é semelhante ao couro. Ela forma um saco que envolve o encéfalo e a medula espinhal. É também conhecida como paquimeninge (meninge grossa). Como é muito enervada e vascularizada, caso haja um aumento de pressão cerebral, comprimindo o cérebro na calota craniana, a dor que vai se sentir é na dura-máter.

Sob a dura-máter está a aracnóide, que tem esse nome, pois vai emitir prolongamentos para a pia-máter semelhantes a uma teia de aranha.

E a membrana que está em contato direto com o encéfalo, que lhe dá resistência, é a pia-máter.

Entre essas meninges, existem espaços que têm fundamental importância clínica. O espaço mais externo é o espaço epidural ou extradural, que fica entre o osso e a dura-máter. Normalmente, esse espaço não existe no crânio: a dura-máter está colada no crânio. Só vai existir esse espaço se houver coágulo, que vai formar um hematoma extradural ou epidural. Já na medida espinhal, existe uma camada de gordura entre a dura-máter e as vértebras, chamada de gordura epidural.

O espaço subdural é o que fica por baixo da dura-máter, entre esta e a aracnóide. Num traumatismo, por exemplo, pode haver um hematoma extradural ou subdural.

O espaço mais importante entre as meninges é o subaracnóideo, que fica embaixo da aracnóide e a pia-máter. É aí que circula o liquor ou líquido céfalo-raquidiano (LCR) ou ainda líquido cérebro-espinhal. É ele que lubrifica e protege mecanicamente o sistema nervoso central.

O LCR

O líquor ou LCR é o líquido que circula entre o encéfalo e a medula espinhal, também conhecida como raquidiana. Ele circula especificamente nos ventrículos cerebrais (nos dois laterais e no terceiro e quarto) e no espaço subaracnóideo. São cerca de 150 ml de líquido circulante. É uma solução salina, composta basicamente por cloreto de sódio e glicose, o principal elemento nutricional dos neurônios. Mas a função principal do líquor é atuar como um amortecedor espinal para o córtex cerebral e a medula espinhal.

Sua formação se dá em regiões chamadas de plexos coróides, que são amontoados de células epiteliais que ficam nos ventrículos e são responsáveis por transformar o líquido plasmo (do sangue) em líquor. A maior parte do líquor é formada nos ventrículos laterais, seguido pelo terceiro e quarto ventrículos.

Sua eliminação do sistema nervoso central se dá nos vilos aracnóides, que funcionam como válvulas que reabsorvem o líquido. A maior concentração de vilos aracnóides encontra-se no seio sagital superior, que fica parte superior do crânio.

É fundamental que haja equilíbrio entre a formação do líquor nos plexos coróides e sua reabsorção nos vilos aracnóides, para se manter estável a pressão intracraniana, ou PIC. O ideal é que a PIC fique por volta de 10ml de mercúrio, ou seja, uma pressão baixa.

O líquor é trocado por volta de três vezes ao dia, aproximadamente a cada oito horas.

Alguns princípios da física se aplicam ao funcionamento do líquor no sistema nervoso. O primeiro é o princípio de Arquimedes, que diz que qualquer corpo imerso em líquido fica mais leve. Da mesma maneira que conseguimos carregar outra pessoa quando estamos numa piscina, por exemplo, nosso sistema nervoso fica mais leve pois flutua no líquido: o cérebro pesa cerca de 1,5 kg, mas temos a sensação de pesar apenas 50 g, por estar flutuando no líquido.

Outro princípio é o de Pascal: o acréscimo de pressão produzido num líquido em líquido transmite-se integralmente a todos os pontos do líquido. Uma pancada no crânio, por exemplo, o líquor vai expandir essa energia e evitar a lesão. Assim, o líquor é fundamental na proteção do sistema nervoso.

Vários problemas estão relacionados à circulação do líquor, como a hipertensão intracraniana e a hidrocefalia. É o que veremos em nosso próximo encontro. Até lá.

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