Publicado 16 de Julho de 2015 - 14h32

Por Agência Estado

O lobista Adir Assad está preso desde março em Curitiba, pela Operação Lava Jato

Agência Brasil

O lobista Adir Assad está preso desde março em Curitiba, pela Operação Lava Jato

Cinco empresas ligadas ao lobista Adir Assad - preso desde março em Curitiba, pela Operação Lava Jato - receberam R$ 1,2 bilhão. São quatro empresas de locação de equipamentos e uma de marketing e eventos que tiveram quebra de sigilo decretada pela Justiça Federal, sob a suspeita de terem ocultado propinas da Petrobrás.

As cinco empresas são a Rock Star Marketing, Legend Engenheiros Asssociados, Powert To Ten Engenharia, SM Terraplanagem e Soterra Terraplanagem e Locação de Equipamentos. Nas três primeiras Assad figurou como sócio e admite sua participação, nas outras duas ele nega envolvimento, mas a força-tarefa da Lava Jato suspeita que ele era o controlador. Elas já tinham sido envolvidas nos escândalo da construtora Delta, em 2012, em contratos do Dnit.

Relatório

Relatório de Análise 68/2015, do Ministério Público Federal, cruza dados bancários, fiscais e comerciais de Assad e de outras pessoas ligadas a ele para apontar as origens dos recursos do lobista.

"Em relação aos dados fiscais analisados, observou-se que não há compatibilidade destes com a movimentação bancária das pessoas pesquisadas. Pois os valores declarados são inferiores aos apurados nos dados bancários", registra o documento anexado nesta terça-feira aos autos.

Depoimentos

Nesta quarta-feira (15), Assad e outros três réus por envolvimento na lavagem de dinheiro de obras da Petrobrás foram ouvidos pelo juiz federal Sérgio Moro - que conduz os processos da Lava Jato, sediados em Curitiba.

No depoimento, Assad negou relação com as empresas do delator Augusto Ribeiro Mendonça, réu confesso do processo que admitiu ter pago propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque. Um dos caminhos do dinheiro foram as empresas usadas por Assad.

Parceiro

Ouvido em juízo na sequência, Dário Teixeira, espécie de parceiro do lobista nos negócios da área de marketing, afirmou que tentou ser contratado pela Setal, de Mendonça, mas negou ter fechado algo.

Assad e outros membros do seu núcleo financeiro foram ouvidos em processo em que são réus também Duque e Vaccari por corrupção e lavagem de dinheiro. Os desvios seriam referentes a contratos que o grupo Setal participou nas obras da refinarias Repar (Paraná) e Replan (São Paulo).

Dados

A quebra do sigilo bancário do lobista Adir Assad e de seu núcleo financeiro mostrou que ele recebeu R$ 10 milhões em suas contas. A maior parte veio da empresa Legend. Preso pela Lava Jato desde março, empreiteiras teriam pagos valores ao lobista, entre os anos de 2006 e 2011, período em que ele é investigado por envolvimento nos desvios de recursos nas obras da refinarias da Petrobrás Repar, no Paraná, e Replan, em São Paulo.

"Efetuou-se o levantamento das principais origens de recursos e dos principais beneficiários das contas de Adir Assad. Assim, apurou-se como principal fonte de recursos a empresa Legend Engenheiros Associados da qual recebeu o montante de R$ 3,6 milhões", informa o relatório.

O lobista teve vínculo oficial com a Legend entre janeiro de 2006 e março de 2009. "Entretanto, foram identificados recebimentos da conta de Adir Assad advindos da empresa mesmo após a sua saída da sociedade. Sendo que, do montante de R$ 3,6 milhões recebidos em todo o período, R$ 2,2 milhões são referentes ao período de 7 de abril de 2009 a 26 de abril de 2013".

Veja também

Escrito por:

Agência Estado