Publicado 05 de Julho de 2015 - 16h05

Por Agência Estado

As eleições presidenciais terminaram no último domingo (26) com a vitória da presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff

Divulgação/ PSDB

As eleições presidenciais terminaram no último domingo (26) com a vitória da presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff

Após ser reconduzido à presidência nacional do PSDB neste domingo (5), o senador Aécio Neves (MG) fez um discurso inflamado sinalizando que o partido vai trabalhar para pôr fim ao governo da presidente Dilma Rousseff. Sem falar a palavra impeachment, Aécio afirmou que a oposição "não esmoreceu" e que o PSDB pretende dar uma resposta "responsável e corajosa" à sociedade.

Em sua fala, o tucano acusou o PT de montar um "modos operandi" no qual "vale tudo" para continuar no poder, e que isso colocava sob suspeita os recursos recebidos pela campanha que elegeu Dilma e o vice-presidente, Michel Temer, no ano passado.

"Os sucessivos escândalos que aí estão consolidam a ideia de que se instalou no Brasil um modos operandi organizado e sistematizado em que vale tudo para se manter no poder, e que agora coloca sob gravíssima suspeição a campanha que elegeu a atual presidente da República e seu vice", disse.

Em diversas oportunidades, Aécio sugeriu que Dilma deixaria o governo antes de 2018, quando estão previstas as novas eleições presidenciais. "Ao final do seu governo, que eu não sei quando ocorrerá, talvez mais breve do que alguns imaginam, os brasileiros terão ficado mais pobres", afirmou.

Lideranças tucanas e de partidos aliados se revezarem no palanque na convenção nacional do PSDB que acontece neste fim de semana em Brasília para defender a convocação de novas eleições para presidente da República. O líder tucano no Senado, Cassio Cunha Lima (PB), pediu que o partido adote abertamente esta bandeira. "Defendo que o PSDB apoie abertamente a convocação de novas eleições", afirmou.

Apesar da defesa enfática, Cunha Lima esclareceu que "isso não significa uma tentativa de golpe", como acusam os petistas. Ele ainda fez um apelo para que os tucanos participem das manifestações contra a presidente Dilma Rousseff marcado para 16 de agosto.

O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Carlos Sampaio (SP), seguiu na mesma linha. "A melhor coisa que poderia acontecer é o TSE cassar o mandato da presidente e afastar este governo corrupto."

A aposta dos tucanos é que a presidente e o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) tenham seu diploma eleitoral cassados no TSE, onde tramita uma ação do partido acusando o PT e a presidente de abuso de poder econômico na campanha eleitoral do ano passado. O senador Aécio Neves (MG) será o último a discursar na convenção deste domingo.

Parlamentarismo

Diante do enfraquecimento do governo da presidente Dilma Rousseff, o senador José Serra (PSDB-SP) defendeu neste domingo durante a convenção nacional do PSDB, que o partido adote a bandeira do "parlamentarismo".

Segundo o senador, essa é a melhor forma de governo, porque permite a troca, "sem traumas", do primeiro-ministro, diferentemente do que acontece hoje no presidencialismo. A ideia vem sendo defendida pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "No parlamentarismo, quando o governo vai mal, ele é trocado, sem traumas", afirmou Serra.

Em seu discurso, o tucano afirmou que o País atravessa a pior crise que ele já vivenciou e defendeu que cabe às "forças democráticas oferecer alternativas" para que o Brasil saia dessa situação. "E não vai ser fácil, porque o estrago feito pela era PT foi gigantíssimo", disse.

O tucano comparou o governo da petista com a do presidente João Goulart, destituído do cargo pelos militares. "Infelizmente não é só uma crise econômica, é uma crise política, de valores. Esse é o mais fraco governo que eu tenho memória em toda a minha vida. O de Jango, em 1964, era de uma solidez granítica se comparado com o de Dilma", afirmou.

Convocação de eleições

Ao participar da convenção nacional do PSDB, o presidente do PPS deputado Roberto Freire (SP), defendeu uma "intervenção das forças democráticas" para tirar a presidente Dilma Rousseff do poder. "Já não se fala mais em governo, se fala de pós-Dilma", afirmou.

Segundo Freire, a melhor alternativa seria a convocação de novas eleições após a cassação do mandato da presidente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas ele afirmou que o Congresso tem que estar preparado para analisar um processo de impeachment, caso o Tribunal de Contas da União (TCU) rejeite as contas do governo.

Apesar de ter apoiado o PSB na campanha presidencial do ano passado, Freire afirmou que o "PSDB, como maior partido de oposição, tem que estar preparado para qualquer das alternativas".

PTB

Lideranças de outros partidos aliados do PSDB também fizeram discurso neste domingo. A presidente do PTB, deputada Cristiane Brasil (RJ), fez duras críticas ao PT. Ela acusou o partido de "privatizar o dinheiro público" e disse que a única coisa boa de Aécio não ter ganhado a eleição era ver o "PT na lama".

Cristiane é filha do ex-deputado Roberto Jefferson, delator do mensalão, que atualmente cumpre prisão domiciliar por conta do julgamento do caso.

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