Publicado 14 de Julho de 2015 - 21h24

Por AFP

'Os Estados Unidos contam com 5% da população mundial, mas 25% da população mundial carcerária', alegou o presidente

Saul Loeb/ AFP

'Os Estados Unidos contam com 5% da população mundial, mas 25% da população mundial carcerária', alegou o presidente

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu nesta terça-feira um sistema judiciário mais justo, ao denunciar o aumento do número de detenções nas últimas décadas e as flagrantes desigualdades perante a lei.

"Há uma longa história de desigualdades no sistema judiciário americano (...) não podemos mais fechar os olhos", declarou, em um discurso na Filadélfia diante de 3.000 delegados do movimento de defesa dos negros NAACP.

No discurso, o presidente pediu ao Congresso que aja, em função do aumento no número de prisões nas últimas décadas - com uma taxa quatro vezes superior à da China - em muitos casos, com penas "desproporcionais em relação aos delitos".

"Os Estados Unidos contam com 5% da população mundial, mas 25% da população mundial carcerária", alegou.

"Nem sempre foi assim. Nossa população carcerária duplicou nas últimas duas décadas", relatou, acrescentando que o país gasta 80 bilhões de dólares por ano para manter o sistema prisional.

O presidente lembrou que a escalada no número de detentos afeta, "de maneira desproporcional", negros e latinos.

"Os afro-americanos têm mais chances de serem presos, têm mais chances de serem condenados a penas superiores (do que os brancos) pelos mesmos crimes", garantiu.

"Nosso sistema penal não é justo e temos de fazê-lo evoluir", insistiu Obama, solicitando a ação rápida do Congresso.

Ontem, Obama concedeu o indulto a 46 americanos condenados por tráfico de drogas. Ele justificou sua decisão pela necessidade de corrigir algumas condenações excessivas sentenciadas no passado.

Na quinta-feira, Obama visitará o presídio de El Reno, em Oklahoma (centro dos EUA), tornando-se o primeiro presidente em exercício a visitar uma penitenciária federal.

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