Publicado 12 de Julho de 2015 - 10h43

Por France Press

Joaquín "El Chapo" Guzmán fugiu da penitenciária pela segunda vez no México

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Joaquín "El Chapo" Guzmán fugiu da penitenciária pela segunda vez no México

O narcotraficante mexicano Joaquín "El Chapo" Guzmán, líder do poderoso cartel de Sinaloa, escapou de uma penitenciária de segurança máxima em sua segunda fuga da prisão em 14 anos, o que deixa o governo do México em situação desconfortável.

De acordo com as autoridades, os policiais da penitenciária de Altiplano, a 90 km da capital mexicana, observaram no sábado o momento em que "El Chapo" se aproximou da área das duchas da prisão.

"Ao prolongar-se a não visibilidade do interno, entraram na cela e a encontraram vazia. De maneira imediata emitiram um alerta e o protocolo de busca", afirma um comunicado da Comissão Nacional de Segurança (CNS), que confirma a fuga de "Guzmán Loera".

As autoridades mobilizaram uma grande operação na área próxima da penitenciária, que fica no estado de México (centro) e abriga os criminosos mais perigosos do país.

Também determinaram a suspensão das atividades no aeroporto de Toluca, capital do estado.

Guzmán, de 58 anos e que chegou a ser o criminoso mais procurado no México e dos Estados Unidos, foi detido pela primeira vez em 9 de junho de 1993 na Guatemala.

Na ocasião, o narcotraficante foi levado para penitenciária de segurança máxima de 'Puente Grande', em Jalisco (oeste), de onde conseguiu fugir em 19 de janeiro de 2001, aparentemente escondido em um carrinho de roupa suja.

O governo iniciou então uma longa e intensa perseguição, mas o criminoso conseguiu evitar a prisão em diversas ocasiões graças a portas reforçadas com aço em suas residências e um sistema de túneis secretos, assim como uma grande conivência com autoridades de todos os níveis.

Finalmente, em 22 de fevereiro de 2014 Guzmán foi novamente detido por oficiais da Marinha em seu reduto no estado de Sinaloa (noroeste).

A prisão foi anunciada com muito barulho pelo governo do presidente Enrique Peña Nieto, que recebeu elogios internacionais.

Na época, a procuradoria mexicana oferecia por Guzmán uma recompensa de 2,3 milhões de dólares, enquanto a justiça dos Estados Unidos estipulou o preço de cinco milhões.

Além disso, a cidade de Chicago o declarou "inimigo público número um", o primeiro criminoso a ser apontado como tal desde Al Capone.

As autoridades exibiram o narcotraficante algemado na ocasião. O governo dos Estados Unidos expressou o desejo de extradição, mas o México descartou de maneira taxativa.

Dezessete meses depois, a nova fuga do narcotraficante deixa o governo de Peña Nieto em situação incômoda.

Ismael "El Mayo" Zambada, que havia sido considerado o sucessor natural de Guzmán à frente do cartel de Sinaloa, também está foragido.

Narcotraficante mais poderoso do mundo

Com a primeira fuga, Guzmán se transformou no grande símbolo do narcotráfico contra o qual o ex-presidente Felipe Calderón (2006-2012) ordenou uma grande operação militar. O criminoso chegou a aparecer na lista das maiores fortunas do mundo da revista Forbes de 2011, com mais de 11 bilhões de dólares.

Depois da fuga, "El Chapo" retornou ao comando do cartel de Sinaloa e em poucos anos levou a organização a dominar o mercado no México com o tráfico de cocaína e maconha aos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Com o avanço, passou a ser considerado o narcotraficante mais poderoso do mundo e seu grupo travou batalhas sanguinárias, especialmente contra o cartel rival Los Zetas.

Mais de 10.000 pessoas foram assassinadas apenas em Ciudad Juárez, uma localidade chave na fronteira com o Texas, em disputas atribuídas aos cartéis de Sinaloa e Juárez.

Com o apelido "El Chapo" como diminutivo de "chaparro" (por sua pequena altura, 1,55 m), Guzmán nasceu em 4 de abril de 1957 em Badiraguato, Sinaloa, a região mexicana mais emblemática para o narcotráfico por cultivar há décadas papoula e maconha e ser o berço da maioria dos traficantes mais conhecidos.

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