Publicado 09 de Julho de 2015 - 14h52

Por France Press

O Reino Unido abriu uma investigação sobre casos de pedofilia envolvendo políticos e instituições públicas nos anos de 1980 e 1990.

A investigação começou depois que a imprensa revelou o desaparecimento de 114 registos relacionados com as acusações de abuso sexual contra menores entre 1979 e 1999, informação confirmada por vários ministérios.

Segundo a imprensa, um dos registros ligava vários deputados e figuras políticas a uma rede de pedofilia.

A investigação foi atrasada pelo afastamentos das duas juízas do caso, acusadas de conflito de interesses.

Elizabeth Butler-Sloss teve que renunciar porque seu irmão, Michael Havers, procurador-geral na década de 1980, foi acusado de impedir um ex-parlamentar de revelar as acusações de agressão sexual.

Para evitar novas acusações de cumplicidade, o Reino Unido nomeou em fevereiro a juíza neo-zelandesa Lowell Goddard para liderar a investigação de forma independente.

"É o maior e mais ambicioso inquérito público da história da Inglaterra e do País de Gales", disse Lowell, que pediu a todas as vítimas que se apresentem.

A juíza, que reconheceu que a tarefa era "imensa", indicou que os primeiros elementos da investigação, que poderia durar anos, sugerem que "uma em cada 20 crianças na Inglaterra e no País de Gales foi vítima de violência sexual."

"Os números reais podem ser ainda piores do que as estimativas oficiais", alertou.

Lowell escreveu a mais de 240 instituições - polícia, sistema de saúde público (NHS), igrejas... - para exigir que investiguem e transmitam todos os documentos que possam ser úteis.

Em março passado, a unidade britânica de assuntos internos também abriu uma investigação após várias denúncias acusando a polícia de ter acobertado as atividades de uma rede de pedofilia no qual participaram políticos e instituições públicas entre os anos 1970 e 2000.

Em dezembro, uma suposta vítima, identificada como Nick, disse à polícia que ele e várias outras crianças tinham sido agredidos sexualmente por grupos de homens em Londres e em sua periferia, incluindo em bases militares.

Também acusou deputados e outras figuras públicas de envolvimento no assassinato de três crianças com idade entre sete e 16 anos.

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