Publicado 09 de Julho de 2015 - 14h33

Por France Press

Israel afirmou nesta quinta-feira (9) que dois de seus cidadãos estão sequestrados em Gaza, um deles pelo Hamas, o grupo palestino que utilizou em várias ocasiões reféns israelenses como moeda de troca.

O ministério da Defesa informou em um comunicado que, "segundo dados de inteligência confiáveis", Avraham Mengitsu, um israelense de ascendência etíope, "está sendo retido contra sua vontade pelo Hamas em Gaza".

Um ano após uma ofensiva israelense arrasar a Faixa de Gaza, foram retomados os contatos indiretos entre o movimento islamita e Israel, mas um funcionário de alto escalão do Hamas sob condição de anonimato advertiu que "nada é gratuito".

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse em um comunicado que considera o "Hamas responsável pelo bem-estar dos dois homens".

"Espero que a comunidade internacional, que expressa sua preocupação com a situação em Gaza, peça de forma clara a libertação e o retorno destes cidadãos", acrescentou.

Mengistu, nascido em 1986, atravessou a barreira de segurança para entrar em Gaza em 7 de setembro de 2014, pouco depois do fim da guerra de 50 dias entre Israel e o Hamas, segundo o comunicado oficial.

O comunicado cita ainda um "caso adicional de um árabe-israelense que também está sendo retido em Gaza".

Nem o Hamas, nem seu braço armado, as brigadas Ezedin al Qassam, fizeram qualquer comentário oficial.

Uma fonte do movimento islamita, que governa a Faixa de Gaza, disse à AFP que "nenhuma negociação foi iniciada oficialmente" com os israelenses, sem confirmar ou desmentir as detenções.

Mas, advertiu, "nada é gratuito: antes de qualquer discussão, o Hamas exigirá a libertação de todos os prisioneiros liberados na troca do soldado Gilad Shalit e novamente detidos".

No fim de 2011, Israel aceitou libertar mil detidos palestinos em troca do soldado Shalit, nas mãos do Hamas desde 2006.

Desde então, dezenas destes palestinos foram detidos novamente pelas autoridades israelenses e alguns deles foram condenados à prisão perpétua.

Israel mantém um rígido bloqueio a Gaza e não permite que seus cidadãos entrem no território palestino, em parte porque teme que sejam utilizados como moeda de troca para conseguir a libertação de alguns integrantes do Hamas.

O irmão de Avraham Mengistu, Asho, falou com a imprensa na casa da família, em um bairro popular de Ashkelon, a 20 km da Faixa de Gaza.

"É um caso humanitário porque ele não tem uma boa saúde", afirmou, sem revelar detalhes sobre o estado físico e mental do irmão.

"Pedimos ao governo que o traga são e salvo, pedimos à comunidade internacional que atue, pedimos ao Hamas que o liberte", declarou.

As autoridades israelenses haviam informado à família de Avraham Mengistu sobre o sequestro em Gaza, mas solicitaram que não revelassem o caso à imprensa, segundo um amigo.

O ministro israelense da Defesa, Moshe Yaalon, disse estar em contato com as famílias dos dois israelenses.

Interlocutores internacionais

O ministério não forneceu detalhes sobre o árabe-israelense também cativo. Segundo a imprensa israelense, a censura militar ainda pesa sobre este caso, enquanto acaba de ser levantada no que se refere ao de Mengistu.

O governo anunciou ter feito "um apelo aos interlocutores internacionais e regionais para que peçam uma libertação imediata de Mengistu e obtenham informações sobre seu estado".

Israel e Hamas anunciaram recentemente ter retomado os contatos indiretos para tentar conquistar uma trégua de longa duração em troca de suavizar o bloqueio israelense sobre Gaza imposto após o sequestro de Shalit.

Por outro lado, Israel, que anteriormente trocou os restos de alguns de seus soldados mortos por prisioneiros, sobretudo com o Hezbollah libanês, tenta há um ano recuperar os corpos de dois de seus militares mortos pelas mãos do Hamas em Gaza.

No fim de agosto, quando foi alcançado o cessar-fogo, o Hamas declarou que havia tido acesso aos restos de dois soldados israelenses mortos durante a guerra, o subtenente Hadar Goldin e o sargento Oron Shaul.

Por sua vez, o ex-chefe do Shin Bet, o serviço de segurança interior de Israel, Avi Ditcher, disse à rádio militar que espera poder combinar as negociações sobre os dois israelenses desaparecidos em Gaza com a repatriação dos corpos dos dois soldados israelenses.

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