Publicado 09 de Julho de 2015 - 14h31

Por France Press

A guerrilha comunista das Farc reiterou nesta quinta-feira sua disposição de deixar as armas assim que for assinado um acordo de paz com o governo da Colômbia, mas exigiu garantias de que seus militantes não correrão riscos ao se incorporar à vida política.

"Reafirmamos nossa decisão de depor armas", afirmou a guerrilha em um comunicado lido por Ricardo Téllez, um dos delegados nas negociações de paz com o governo de Bogotá em Havana.

No entanto, Téllez advertiu que deve existir uma garantia prévia para que os militantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se incorporem à sociedade sem risco para suas vidas, recordando que, em uma tentativa parecida há quase três décadas, foram assassinados 3.000 militantes do partido União Patriótica, criado por políticos de esquerda e guerrilheiros desmobilizados.

O processo de paz para a Colômbia, iniciado em 2012, ganhou novo vigor na véspera, depois que a guerrilha anunciou um cessar-fogo unilateral por um mês a partir de 20 de julho para desescalar o conflito armado, respondendo a um apelo dos quatro países que acompanham o processo de paz para a Colômbia.

"Com base no espírito do apelo dos fiadores do processo, Cuba e Noruega, e dos acompanhantes do mesmo, Venezuela e Chile, anunciamos nossa disposição de ordenar um cessar-fogo unilateral a partir de 20 de julho, por um mês", disse à imprensa o chefe negociador das Farc, Iván Márquez.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, elogiou a nova trégua unilateral das Farc (a anterior durou cinco meses, até maio), mas disse que "é preciso mais", e pediu compromissos para acelerar os diálogos de paz, iniciados em 2012.

"Apreciamos o gesto de cessar-fogo unilateral das Farc, mas é preciso mais, sobretudo compromissos concretos para acelerar as negociações", escreveu o presidente colombiano em sua conta do Twitter.

Na terça-feira os quatro países que participam das negociações em Havana fizeram um apelo às partes por uma desescalada urgente do conflito armado, que já dura mais de meio século e que se intensificou nas últimas semanas com dezenas de baixas nos dois grupos e danos à infraestrutura e ao meio ambiente.

Desde o início das negociações de Havana, as Farc propuseram uma trégua bilateral enquanto ocorrem as negociações de paz, o que Santos rejeitou reiteradamente.

As Farc colocaram em vigor sua trégua unilateral por tempo indefinido em dezembro, mas a levantaram em maio após uma série de ataques militares nos quais trinta guerrilheiros morreram.

Além da trégua mantida por cinco meses, as Farc decretaram outras mais breves desde 2012, por ocasião das festas de fim de ano e das eleições colombianas.

O governo e as Farc se culpam mutuamente sobre a responsabilidade de ter provocado a escalada do último conflito armado na América, que já dura meio século e que deixou 220.000 mortos e seis milhões de deslocados.

O primeiro grande incidente ocorreu em meados de abril, quando uma emboscada guerrilheira deixou 11 militares mortos. As Farc alegam que se tratou de uma ação defensiva, já que os soldados estavam perseguindo um destacamento guerrilheiro em uma zona sob controle rebelde.

Um mês depois o governo lançou uma série de ataques contra posições rebeldes, o que levou as Farc a levantar sua trégua.

As duas partes estão perto de fechar um acordo parcial sobre reparação às vítimas, e podem anunciá-lo na segunda-feira, quando se encerra este ciclo de negociações de paz.

O governo e as Farc entraram em acordo até agora sobre três dos seis pontos da agenda e também acordaram um programa de desminagem e a criação de uma Comissão da Verdade.

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