Publicado 08 de Julho de 2015 - 20h21

Por AFP

Grécia corre contra o tempo para fazer ajustes financeiros

Cedoc/RAC

Grécia corre contra o tempo para fazer ajustes financeiros

A Grécia pediu nesta quarta-feira (8) um novo plano de resgate financeiro à zona do euro, o primeiro passo de um calendário apertado fixado por seus sócios para evitar o pior dos cenários: o colapso do país e a saída da Eurozona.

"É realmente o momento decisivo tanto para a Grécia como para nós", disse nesta quarta-feira o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, em seu discurso na Eurocâmara.

"Sem unidade, acordaremos dentro de quatro dias em uma Europa diferente. É nossa última oportunidade", acrescentou Tusk.

Na mesma ocasião, Tsipras garantiu aos deputados que os gregos "conseguirão responder às exigências da situação, pelo bem da Grécia, da zona do euro e do interesse econômico e geopolítico da Europa".

Enquanto o primeiro-ministro participava do debate no parlamento de Estrasburgo, seu governo enviou um pedido formal para um terceiro resgate financeiro, um empréstimo por três anos em troca de um "pacote completo de reformas e medidas nas áreas fiscal, estabilidade financeira e de medidas a favor do crescimento", segundo a carta enviada ao fundo de resgate da zona do euro.

O pedido da Grécia de um terceiro plano de resgate depois de seis anos de recessão é o primeiro passo em um calendário apertado decidido na terça-feira à noite pelos sócios de Atenas reunidos em cúpula extraordinária em Bruxelas.

Segundo este calendário, o governo grego deve agora apresentar um pacote de reformas detalhado, o que Tsipras confirmou que seria feito nesta quinta-feira.

As propostas serão analisadas pelas "instituições" credoras de Atenas, União Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta sexta-feira e passarão depois aos ministros da Economia da zona do euro que se reunirão novamente no sábado em Bruxelas.

Os chefes de Estado e de governo da União Europeia, os 28 e já não mais os 19 da zona do euro, decidirão em uma cúpula no domingo se resgatarão a Grécia ou se confirmarão a 'Grexit'.

Irritação

Os cinco meses de negociações entre Atenas e seus credores, com seis reuniões dos ministros da Economia e três cúpulas nas duas últimas semanas, causou irritação a diversos sócios da Grécia.

A impaciência com a Grécia, beneficiada por dois planos de resgate desde 2010 totalizando 240 bilhões de euros, leva muitos de seus sócios a recusar uma noca ajuda, entre eles a Alemanha, cuja chanceler Angela Merkel deve conciliar com uma opinião pública resistente a financiar Atenas outra vez.

"Há irritação. É preciso concluir (o acordo) neste fim de semana", disse na terça-feira o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte.

"Há dois cenários, ou acontece um milagre e os gregos chegam em 24 horas com um pacote de reformas concretas ou os gregos não fazem isso e concluímos que não podemos negociar", acrescentou.

No entanto, outros sócios de Atenas querem acreditar em um verdadeiro acordo. França e Espanha adotaram uma linha mais flexível de negociação, considerando os sinais "positivas" no pedido apresentado na quarta-feira por Atenas.

Impossível reabrir os bancos

A urgência da situação foi ressaltada também pelo presidente do Banco da França, Christian Noyer, que ressaltou o prazo de domingo como o limite para evitar o "caos" na Grécia.

A Grécia se encontra em um limbo financeiro. Além da moratória com o FMI desde o dia 30 de junho, o país deve pagar dívidas neste mês com credores privados e com o BCE.

Seus bancos se mantêm a salvo graças ao controle de capitais e aos empréstimos de emergência oferecidos pelo BCE ao sistema financeiro grego.

Nesta quarta-feira, o Conselho de Governadores do BCE decidiu manter essa linha de crédito (chamada ELA). A ajuda ultrapassa 89 bilhões de euros.

"A economia grega está à beira da catástrofe, precisamos de um acordo no domingo, é o último prazo, depois será muito tarde e as consequências serão graves", disse Noyer a uma rádio francesa.

Noyer, que integra o Conselho de Governadores do BCE, acrescentou que é "impossível" reabrir os bancos. "Imediatamente haveria uma corrida bancária".

Na quarta-feira à noite, uma fonte do ministério da Economia grego anunciou que os bancos permanecerão fechados até a próxima segunda-feira.

Segundo uma fonte, "a irritação e a impaciência estão chegando ao limite no Conselho de Governadores do BCE".

Para o secretário do Tesouro americano, Jacob Lew é possível um acordo sobre a Grécia se houver "decisões difíceis" sobre as reformas e uma redução da dívida, que chega a 180% do PIB do país.

"Não acho que o primeiro-grego possa apresentar novas medidas orçamentárias e reformas estruturais sem que tenha uma ideia da viabilidade da dívida", declarou Jacob Lew em Washington.

Atenas pede um perdão ou a reestruturação da dívida, proposta que até agora tem a forte oposição de Berlim.

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