Publicado 05 de Julho de 2015 - 17h25

Por France Press

O primeiro-ministro grego falou por telefone com o presidente francês para tratar dos meios "para tonificar as negociações" entre Atenas e seus credores

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O primeiro-ministro grego falou por telefone com o presidente francês para tratar dos meios "para tonificar as negociações" entre Atenas e seus credores

Milhares de partidários do "Não" lotavam a praça Syntagma, no centro de Atenas, para comemorar a vitória no referendo celebrado este domingo (5) na Grécia.

Uns 5.000 manifestantes, segundo a polícia, exibiam bandeiras gregas e cartazes com a palavra OXI (Não), repetindo palavras de ordem contra a austeridade.

Pouco antes das 22h locais (16h de Brasília), três horas depois do fechamento das seções de votação, metade dos votos já tinham sido contados e colocavam o "Não" com vantagem de 61,21% sobre os 38,74% do "Sim".

Mais cedo, um diretor da empresa Singular Logic, encarregada da contagem final dos votos, estimou em mais de 61% a vantagem do "Não" sobre o "Sim".

"Não por uma pátria livre" e "Não pelo futuro, por nossos filhos", diziam alguns dos cartazes levados pelos manifestantes de um partido de extrema-esquerda, EPAM (Frente Unidos Popular).

Também havia festejos perto da Universidade, onde se concentrava cerca de mil militantes do Syriza.

Ao redor da praça Syntagma os manifestantes gritavam "Oxi, oxi", alguns cantavam e outros dançavam.

Em um piscar olhos apareceram dezenas de postos de venda de ambulantes de bandeiras gregas e apitos.

"Estou encantado. É maravilhoso. A vida será diferente a partir de agora", disse à AFO George Kotsakis, de 55 anos.

A mesma felicidade expressou Jenny, 27 anos, que estava na praça com uma amiga. "Estou feliz. O 'não' é a melhor opção. Decidimos pensando não no medo e sim no futuro. Espero que o 'não' nos traga um futuro melhor", disse Jenny.

Entendimento

A vitória do "Não" no referendo na Grécia é "uma ferramenta que servirá para estender uma mão cooperativa aos nossos parceiros, afirmou na noite deste domingo o ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, assegurando que a partir de segunda-feira, o governo vai trabalhar para chegar a um entendimento com a UE e o FMI.

"Nós vamos negociar de uma forma positiva com o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia", disse o ministro, enquanto cerca de dois terços dos votos contados davam uma vantagem de mais de 61% ao "Não" contra 38% para o "Sim" no referendo convocado pelo premiê Alexis Tsipras.

Primeiro-ministro 

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, falou por telefone, na noite deste domingo com o presidente francês, François Hollande, informou à AFP uma fonte governamental grega, cerca de uma hora após a publicação dos resultados parciais do referendo, que davam uma vantagem de mais de 20 pontos ao "Não".

Segundo a TV pública Ert, a conversa entre os dois dirigentes tratou dos meios "para tonificar as negociações" entre Atenas e seus credores, a UE e o FMI, após o fracasso das discussões do Eurogrupo (reunião de ministros das Finanças da zona do euro) de 25 de junho, que antecedeu a convocação do referendo.

Queda do euro

O euro recuava neste domingo ante o dólar, enquanto o "não" se encaminhava para uma vitória no referendo na Grécia sobre a proposta dos credores do país, após a apuração de metade dos votos.

Um euro valia 1,0987 dólar por volta das 19h15 GMT (16h15 de Brasília), baixa de 1,20% com relação ao fechamento da noite de sexta-feira, nas negociações eletrônicas que antecedem a abertura dos mercados asiáticos. Pouco antes, a moeda única europeia havia caído a 1,0963 por dólar. 

Com 50% dos votos apurados, o "Não" vencia com 61,21% dos votos às 18h50 GMT (15h50 de Brasília).

Uma vitória do "Não" abriria um período de incertezas, temido pela comunidade financeira, sobre o futuro da Grécia na zona do euro e questionaria, ainda, a solidez da união monetária, avaliam analistas.

Fortalecido por estes resultados parciais favoráveis, o governo do premiê Alexis Tsipras manifestou neste domingo a vontade de se sentar à mesa de negociações a partir da segunda-feira.

O porta-voz do governo grego, Gabriel Sakellaridis, afirmou que "as iniciativas para alcançar um acordo" entre Atenas e seus credores, a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), "se intensificariam a partir desta noite". 

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, se reunirão na tarde de segunda-feira, em Paris, "para avaliar as consequências do referendo na Grécia", informou a Presidência francesa em um comunicado.

 

Pontes queimadas

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, "rompeu as últimas pontes" entre a Grécia e a Europa e é "difícil imaginar" novas negociações após a vitória do "Não" no referendo deste domingo, afirmou o vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel.

Tsipras e seu governo estão levando a Grécia por um caminho de "amarga renúncia e desesperança", disse Gabriel ao jornal Tagesspiegel na primeira reação de um funcionário de alto escalão do governo alemão aos resultados do referendo na Grécia, após a vantagem de 61,21% do "Não" sobre o "Sim" com metade dos votos contados. 

Gabriel lamentou que Tsipras tenha "rompido as últimas pontes que Europa e Grécia poderiam ter cruzado para buscar um compromisso".

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