Publicado 05 de Julho de 2015 - 15h18

Por France Press

Os eleitores deveriam dizer sim ou não ao último plano de reformas e medidas de austeridade proposto pelos credores do país

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Os eleitores deveriam dizer sim ou não ao último plano de reformas e medidas de austeridade proposto pelos credores do país

O 'Não' está liderando com 60,54% dos votos, após mais de 20% dos votos apurados, o referendo realizado neste domingo (4) e promovido pelo governo grego de Alexis Tsipras sobre a mais recente proposta dos credores do país (BCE, UE, FMI), de acordo com o ministério do Interior.

Pouco antes das 21h local (15h de Brasília), pouco menos de duas horas após o fim da votação, 23,26% dos votos haviam sido apurados e o 'Não' aparecia com 60,54%, à frente dos 39,46% para o 'Sim'.

Os eleitores deveriam dizer sim ou não ao último plano de reformas e medidas de austeridade proposto pelos credores do país.

O porta-voz do governo grego, Gabriel Sakellaridis, indicou neste domingo (4) que "os esforços para alcançar um acordo" entre Atenas e os seus credores da UE e do FMI "seriam intensificados a partir de hoje (domingo) à noite".

Uma hora após a publicação das pesquisas de opinião dando uma ligeira vantagem para o 'Não' no referendo realizado neste domingo, o porta-voz também afirmou que ao canal ANT1 que "um grande trabalho de preparação tem sido feito para chegar a um acordo".

Ele também assegurou que "o Banco da Grécia enviará uma solicitação hoje à noite ao BCE, e acreditamos que existem fortes argumentos para aumentar o teto do ELA", a ajuda de emergência para os bancos gregos que estão fechados há uma semana.

O ministro grego da Defesa, Panos Kammenos, aliado da coalizão do governo de Alexis Tsipras, reagiu à publicação de várias pesquisas dando vitória ao 'Não' no referendo, considerando que "o povo grego mostrou que não se submeteu à chantagem", em seu Twitter.

"O povo grego mostrou que não se submeteu à chantagem, ao terror e à ameaça. A democracia venceu", escreveu às 19h50 locais (13h50 de Brasília) o ministro, líder do pequeno partido Gregos Independentes (Anel) que participa da coalizão no poder.

Nova moeda

Uma vitória do 'não' no referendo da Grécia forçaria o país a introduzir rapidamente uma nova moeda, advertiu neste domingo o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, que garantiu que os europeus não vão "deixar os gregos cair".

Se os gregos votarem 'não', "eles vão ter que introduzir outra moeda, uma vez que não terão mais euros disponíveis como forma de pagamento", alertou em uma entrevista à rádio pública alemã Deutschlandfunk.

"Como eles vão pagar os salários? E as aposentadorias? Mas quando alguém introduz uma nova moeda, deixa o euro", explicou ele.

"Estes são os elementos que me levam a acreditar que as pessoas vão votar no 'sim' hoje", disse Schulz.

Mas, seja qual for o resultado do referendo, "não vamos deixar cair as pessoas na Grécia", garantiu nas colunas do jornal alemão Welt am Sonntag.

"Talvez teremos que acordar empréstimos de emergência a Atenas, uma vez que os serviços públicos precisam funcionar e que as pessoas necessitam receber dinheiro para sobreviver", acrescentou.

"Haverá fundos em Bruxelas para isso", garantiu.

Contudo, se Atenas tiver de recorrer à ajuda de emergência dos europeus, "essa não será uma solução ao longo prazo", alertou.

Os gregos votam neste domingo a favor ou contra o último acordo apresentado por seus credores (UE, FMI, BCE) há 10 dias, que prevê reformas estruturais em troca de um resgate.

Muitos na Grécia e no exterior consideram o referendo uma escolha a favor ou contra a adesão ao euro. A vitória do 'não' tornaria muito difícil ou impossível um novo apoio financeiro à Grécia por seus parceiros.

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