Publicado 04 de Julho de 2015 - 16h49

Por France Press

Os rebeldes sírios conseguiram tomar um estratégico centro militar em Aleppo (norte), uma das mudanças mais importantes na frente de batalha nos últimos dois anos nesta ex-capital econômica da Síria.

Uma coalizão de grupos rebeldes, Fatah Halab (Conquista de Aleppo), "tomou ontem (2) à noite todo o centro de investigação científica, constituindo assim uma ameaça ao bairro de Halab al-Jadida e outras áreas do oeste de Aleppo nas mãos do regime", informou neste sábado (3) o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman.

Desde julho de 2012, a cidade de Aleppo está dividida entre bairros controlados pelos rebeldes, a leste, e áreas controladas pelo regime, a oeste. Desde então, poucas mudanças ocorreram quanto ao equilíbrio de forças.

Mas quinta-feira à noite, uma nova coalizão de rebeldes islamitas lançou uma ofensiva contra o bairro de Zahra, nas mãos do regime e, no dia seguinte, uma outra aliança, Fatah Halab, fez o mesmo em uma outra zona.

Os combates foram os mais violentos na cidade desde 2012, com centenas de morteiros e foguetes lançados por todas as partes.

O centro de pesquisa conquistado, transformado em quartel pelo regime, é composto por vários edifícios e cobre uma grande área no oeste da cidade.

Um grupo da coalizão postou na internet um vídeo em que é possível ver dezenas de combatentes se deslocando no interior do centro, atirando para cima e gritando "Allah Akbar" (Deus é grande).

No pátio, aparece a bandeira "da revolução síria", com alguns edifícios completamente destruídos.

Segundo o pesquisador Thomas Pierret, da universidade de Edimburgo, "o regime perde com este centro de pesquisas uma importante linha de defesa, o que torna mais vulnerável o seu controle das áreas em Aleppo".

De acordo com o OSDH, desde as primeiras horas deste sábado, a Força Aérea síria bombardeia intensamente o centro de pesquisa, forçando os combatentes a se reunir na parte oeste do edifício.

As forças do regime realizaram uma série de ataques à noite, infligindo "pesadas perdas" aos rebeldes, segundo a agência de notícias oficial Sana.

Enquanto isso, os combates se estenderam por toda a noite no perímetro do distrito de Zahra, onde está localizada a sede dos serviços de inteligência da força aérea, segundo o OSDH.

Uma ofensiva foi lançada na quinta-feira contra Zahra pelo grupo Ansar al-Sharia (Partidários da Sharia), uma nova coalizão de rebeldes cuja criação foi anunciada para "libertar Aleppo e seus arredores".

Esta coalizão reúne 13 organizações, incluindo a Frente Al-Nusra, o ramo sírio da Al-Qaeda, e o grupo islâmico Ahrar al-Sham.

Ela tinha conseguido tomar algumas posições, mas de acordo com o Observatório, as forças do regime recuperaram durante a noite, "após 40 ataques aéreos".

Em outras partes do país, as forças do regime, auxiliadas pelo Hezbollah libanês, lançaram uma grande operação militar em Zabadani, 20 quilômetros ao norte da capital Damasco, uma das últimas cidades ainda sob controle dos rebeldes neste setor.

O OSDH relatou "violentos combates entre as forças do regime e as milícias que o apoiam de um lado, e os grupos rebeldes, incluindo os islâmicos", do outro.

Neste sábado, foram disparados 22 barris de explosivos sobre esta cidade e seus arredores, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que afirmou não poder estimar o número de vítimas por enquanto.

A agência oficial SANA noticiou que os rebeldes dispararam foguetes na direção de Damasco, deixando pelo menos um morto e nove feridos.

Primeira cidade a cair nas mãos dos rebeldes em fevereiro de 2012, Zabadani tem mais de 65.000 habitantes, aos quais se somam os deslocados do Ghouta Oriental.

A cidade está parcialmente cercada há quatro anos.

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) divulgou neste sábado um vídeo que mostra adolescentes executando 25 soldados sírios no anfiteatro de Palmira.

Estas execuções ocorreram, supostamente, pouco depois do EI ocupar esta cidade antiga, em 21 de maio.

Acredita-se que o grupo EI tenha executado mais de 200 pessoas quando ocupou Palmira.

 

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