Publicado 03 de Julho de 2015 - 10h23

Por France Press

Jornalistas acompanham reunião sobre programa nuclear iraniano, que ocorre em Viena, na Áusitra

Joe Klamar/France Press

Jornalistas acompanham reunião sobre programa nuclear iraniano, que ocorre em Viena, na Áusitra

O chefe dos negociadores russos, Serguei Riabkov, declarou na noite desta quinta-feira (2) que um acordo sobre o programa nuclear iraniano poderá ser fechado "nos próximos dias", acabando com 12 anos de tensão diplomática. "Não posso prever quantas horas serão necessárias para resolver este assunto, mas cada uma das partes é da opinião de que o caso será resolvido nos próximos dias", declarou Riabkov, citado pela agência russa TASS.

O documento, em torno do qual trabalham Irã e as potências do 5+1 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia, China, França e Alemanha), está "91% pronto", disse o vice-ministro russo das Relações Exteriores. O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, estimou pouco antes que há "fortes possibilidades" de um acordo, desde que todas as partes "façam esforços na boa direção".

Expectativa

"Confiamos em que finalmente as partes envolvidas chegarão a um acordo equitativo, equilibrado e justo. Penso que há fortes possibilidades". Neste sentido, a visita a Teerã nesta quinta de Yukiya Amano, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, era vista como motivo de otimismo e as autoridades iranianas a qualificaram de "útil e positiva".

Yukiya Amano reuniu-se em Teerã com o presidente do Conselho Supremo Nacional de Segurança iraniano, Ali Shamjani, e posteriormente se encontrou com o presidente Hassan Rohani, para buscar uma nova forma de resolver uma das questões mais complexas da negociação: as inspeções internacionais de instalações iranianas, suspeitas de desenvolver a bomba atômica.

Questões ambíguas

Após o encontro, Rohani afirmou que a questão pode ser rapidamente resolvida com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). "No que diz respeito a certas questões que ainda parecem ambíguas, poderiam ser resolvidas a curto prazo se houver vontade de ambas as partes e não forem incluídas questões não técnicas", disse o presidente iraniano.

A entidade da ONU, encarregada da energia atômica, já tem acesso a determinadas instalações nucleares, mas as grandes potências querem reforçar o poder e o perímetro das inspeções, algo ao que as autoridades iranianas se negam.

Semana extra

As potências do grupo 5+1 (Reino Unido, China, França, Rússia, Estados Unidos e Alemanha) se deram uma semana extra, até 7 de julho, para tentar fechar um acordo sobre o programa nuclear iraniano após 20 meses de intensas negociações.

O chanceler francês, Laurent Fabius, declarou que voltará no domingo a Viena "com a esperança de encontrar uma solução definitiva".

A AIEA suspeita que Teerã tenha feito investigações, pelo menos até 2003, para fabricar uma bomba atômica, razão pela qual quer ter acesso aos locais e aos cientistas envolvidos nestes trabalhos.

Irã nega

O Irã sempre desmentiu querer desenvolver um arsenal atômico e diz que os documentos em que a AIEA se baseia são falsos. "Qualquer pacto que assegure a continuação e o progresso da indústria nuclear com fins pacíficos e a suspensão incondicional das sanções injustas e ilegais será visto como positivo", disse Shamjani, citado pela agência iraniana IRNA.

O secretário de Estado americano, John Kerry, se reunirá com seu colega iraniano, Mohamad Javad Zarif, para continuar negociando. A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, por sua vez, posicionou-se alinhada aos seus colegas europeus em seu retorno à capital austríaca.

Avanço

"Ainda não estamos lá, mas avançamos; sendo assim, correrá bem", assegurou.

Perguntado pelos jornalistas sobre as opções de um acordo, Zarif respondeu que tinha que ter "esperança" e rechaçou as informações que de voltaria a Teerã para receber instruções. "Estou aqui", disse, do terraço do seu quarto.

Entre as questões espinhosas que resta resolver, além das inspeções internacionais, estão o ritmo com o que serão levantadas as sanções ao Irã, o mecanismo de marcha à ré se Teerã não cumprir ou o desenvolvimento futuro de equipamento nuclear pela República Islâmica.

Escrito por:

France Press